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Nicaraguenses comemoram a Semana Santa com proibição de procissões nas ruas
Milhares de nicaraguenses participaram, na sexta-feira (3), das comemorações da Semana Santa, limitadas aos átrios ou ao interior das igrejas, devido à proibição do governo de procissões nas ruas, criticada pelos Estados Unidos como uma séria violação da liberdade religiosa.
Os copresidentes Daniel Ortega e Rosario Murillo, casal que governa a Nicarágua com poder absoluto, não autorizam nenhuma manifestação pública no país, inclusive as religiosas, há quatro anos.
Fiéis que assistiram à celebração religiosa em Manágua asseguraram à AFP por telefone que a via-crúcis foi realizada nos jardins, em uma praça entre os muros da catedral, e sob vigilância policial.
Após a via-crúcis, o cardeal Leopoldo Brenes, que nunca se refere ao governo ou às restrições religiosas, calculou que na praça da catedral se reuniram mais de 25.000 pessoas, segundo declarações a veículos oficiais.
Na última terça-feira, o vice-secretário de Estado americano, Christopher Landau, assegurou no X que "a ditadura Ortega-Murillo nega ao povo da Nicarágua o direito a professar sua fé".
Em resposta em um comunicado na quarta-feira, o governo de Ortega e Murillo disse rechaçar "categoricamente as acusações perversas" e "falsas" de Washington.
Na sexta-feira, Murillo afirmou que a "mobilização" de fiéis nas igrejas contradiz aqueles que "deturpam" e criticou os religiosos, "que se dizem pastores", mas de "suas almas ou de sua boca" saem "sapos e cobras".
A advogada e especialista nicaraguense em assuntos eclesiásticos Martha Patricia Molina, exilada nos Estados Unidos, estimou em mais de 400 as "paróquias confinadas" e outras centenas de capelas.
Ortega e Murillo acusam a Igreja católica de ter apoiado os protestos contra eles em 2018, por considerarem que se trataram de uma tentativa de golpe de Estado pelos Estados Unidos.
A repressão deixou mais de 300 mortos, segundo a ONU, e centenas de milhares de nicaraguenses partiram para o exílio, entre eles centenas de políticos, intelectuais, estudantes, líderes sociais e jornalistas, dos quais o governo destituiu sua nacionalidade e suas propriedades.
Nos últimos oito anos, o governo esquerdista expulsou centenas de sacerdotes católicos, entre eles o presidente da Conferência Episcopal, Carlos Herrera, em 2024.
T.Batista--PC