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Cristãos libaneses celebram Páscoa em solidariedade com o sul em guerra
Cristãos libaneses comemoraram este Domingo de Páscoa (5) com orações dedicadas ao sul do país, onde várias aldeias permanecem presas em meio aos combates entre Israel e o movimento Hezbollah.
As comemorações deste ano foram dedicadas às "pessoas do sul", afirmou Jenny Yazbek al-Jamal, ao sair da missa em uma igreja situada em Jdeideh, um subúrbio do norte de Beirute.
Com familiares morando nesta região, esta mulher de 55 anos disse se sentir como "um deles".
Não são só aldeias cristãs as que sofrem nesta guerra, acrescentou al-Jamal, que rege o coro paroquial. "Também as aldeias muçulmanas... Estamos com todas as pessoas do sul que foram obrigadas a fugir de suas casas", emendou.
Ao redor do altar da igreja superlotada foram fixados cartazes com os nomes de várias aldeias cristãs do sul do Líbano que ficaram isoladas do restante do país ou estão sob fogo.
Os membros do coro tiveram que erguer a voz acima do barulho dos caças israelenses que sobrevoavam Beirute à baixa altitude e bombardearam os subúrbios da cidade.
"Mesmo durante nossas festividades, os aviões rompem a barreira do som só para nos assustar", lamentou al-Jamal.
"Isto tem que parar", declarou Marina Awad, outra fiel de 55 anos, presente ao lado de seu marido.
As aldeias fronteiriças atravessam uma grave crise, acrescentou Dori Ghrayeb, de 65 anos. "Não há comida, nem água, nem pão, nem remédios, nem atendimento médico", afirmou.
O Patriarcado Maronita expressou, neste domingo, sua "profunda decepção" pelo cancelamento por "razões de segurança", de um comboio humanitário organizado junto ao enviado do Vaticano ao Líbano, que planejava visitar a aldeia fronteiriça de Debl.
Várias aldeias cristãs próximas da fronteira - entre elas Ain Ebel, Rmeich e Debl — ficaram presas nos combates entre as forças israelenses e o grupo pró-iraniano Hezbollah.
Os moradores se negaram a atender aos apelos de Israel para deixar a região, insistem que esta não é sua guerra e dizem se sentir abandonados depois que as tropas libanesas se retiraram de vários pontos fronteiriços.
O comboio, organizado junto com a Força Interina Provisória das Nações Unidas no Líbano (Unifil) e duas organizações beneficentes cristãs, tinha como objetivo entregar 40 toneladas de medicamentos e suprimentos básicos aos moradores que se encontram "isolados do restante do país", informou o Patriarcado.
B.Godinho--PC