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Papa Leão XIV celebra missa para 120.000 fiéis durante visita a Camarões
Recebido por uma multidão, o papa Leão XIV celebrou uma grande missa nesta sexta-feira (17) em Duala, no terceiro dia de sua visita a Camarões, marcada por apelos à paz e sua denúncia dos "tiranos que devastam o mundo".
Mais de 120.000 pessoas compareceram à missa, informou o Vaticano com base nas autoridades locais, número muito inferior às estimativas do governo, que esperava um milhão de participantes.
- "Ramos da paz" -
"Viva o papa", gritaram os fiéis durante a chegada do pontífice de papamóvel à esplanada do estádio de Japoma, agitando "ramos da paz" e bandeiras do Vaticano.
Na capital, Yaoundé, e depois em Bamenda, epicentro de um conflito separatista violento no noroeste anglófono do país, Leão XIV abandonou sua habitual reserva para adotar um estilo mais firme, poucos dias após ser duramente criticado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O presidente republicano atacou o pontífice por pedir o fim da guerra no Oriente Médio. O papa pode dizer o que quiser, mas precisa entender as realidades de um "mundo cruel", afirmou Trump.
Mas a cada ataque verbal do republicano, o papa contra-atacou com uma mensagem a favor da paz, porém firme. "O mundo está sendo devastado por um punhado de tiranos, mas se mantém unido por uma multidão de irmãos e irmãs solidários", disse em Bamenda.
"Aqueles que roubam os recursos de sua terra geralmente investem grande parte do lucro em armas, perpetuando assim um ciclo interminável de desestabilização e morte", lamentou.
Em Duala, capital econômica do país, os fiéis esperaram durante horas sob 32ºC para ver o chefe da Igreja Católica, muitos deles vestidos com trajes estampados com sua imagem.
Marguerite Tedga, de 72 anos, passou a noite no local com as amigas. "É o auge de toda uma vida cristã. Quando eu era pequena, pensava que não poderíamos ver o papa com nossos próprios olhos", declarou à AFP.
- Atores do futuro -
Em sua homilia, proferida em francês, o pontífice convidou os camaroneses a serem "atores do futuro e a rejeitar toda forma de abuso e violência".
Após a missa, Leão XIV pretendia visitar o hospital católico Saint Paul de Duala e retornar a Yaoundé, onde fará um discurso para estudantes universitários. Ele concluirá a viagem a Camarões com uma missa na manhã de sábado.
Desde sua chegada na quarta-feira, o chefe da Igreja Católica é celebrado com fervor popular, com milhares de fiéis reunidos ao longo das estradas para saudá-lo com cânticos e danças.
Os discursos do papa apresentam um intenso tom social. Na quinta-feira, ele denunciou "o mal causado a partir do exterior, por aqueles que, em nome do lucro, continuam apoderando-se do continente africano para explorá-lo e saqueá-lo".
Camarões possui abundantes recursos como petróleo, madeiras preciosas, cacau, café e algodão, mas também vastos jazigos minerais que há décadas atraem grupos estrangeiros e elites locais.
Um total de 37% dos quase 30 milhões de habitantes de Camarões são católicos e a Igreja administra uma extensa rede de hospitais, escolas e obras de caridade no país.
Depois de Camarões, Leão XIV seguirá a viagem com escalas em Angola e Guiné Equatorial até 23 de abril.
Antes de Camarões, o líder de 1,4 bilhão de católicos fez uma visita histórica à Argélia.
A.Seabra--PC