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Petro interrompe negociações de paz com uma das maiores guerrilhas da Colômbia
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, paralisou na terça-feira (21) as negociações com uma das principais guerrilhas do país, liderada pelo insurgente conhecido como "Calarcá", o que representa mais um duro revés à política do esquerdista.
A menos de quatro meses do fim de seu mandato, quase todos os processos de diálogo iniciados por Petro enfrentaram rupturas, suspensões ou avanços pequenos.
Também na terça-feira, o Clã do Golfo, a maior organização armada do narcotráfico no país, descartou negociar um acordo de paz sob sua presidência.
O Executivo de Petro mantinha diálogos desde 2023 com o insurgente conhecido como "Calarcá", chefe do Estado-Maior de Blocos, uma das maiores dissidências das Farc que não aderiu ao acordo de paz de 2016.
Em uma reunião com seus ministros transmitida nas redes sociais, Petro anunciou que pediu ao conselheiro presidencial de paz, Otty Patiño, que revise as negociações.
"Pedi a Otty Patiño, que não está aqui, que, se o senhor Calarcá não cumpriu os acordos para não queimar a floresta e se dedicou a matar soldados ou a matar seus rivais das Farc com crimes de guerra (...) então não há paz", afirmou.
"O que vamos fazer? Eu gostaria da paz, mas a paz tem que ser feita sobre bases sérias, não sobre mentiras", acrescentou.
O grupo de "Calarcá" prosseguiu com os ataques contra as forças públicas e civis nas áreas de atuação de sua guerrilha, principalmente na fronteira com a Venezuela e na Amazônia.
Uma de suas principais fontes de financiamento é o desmatamento para abrir espaço à pecuária, assim como o narcotráfico, a extorsão e a mineração ilegal.
- Sem opções -
Petro, cujo mandato de quatro anos termina em 7 de agosto, fracassou na maioria de suas tentativas de assinar a paz.
Na terça-feira, o advogado do Clã do Golfo, Ricardo Giraldo, disse que considera "impossível" assinar a paz com seu governo, apesar do diálogo que mantêm no Catar.
Giraldo afirmou que a intenção do cartel é que o processo avance "com o Estado" e não necessariamente "com o governo", ou seja, que prossiga depois do mandato de Petro.
"É impossível, por mais que quisessem, chegar a um acordo final de paz", disse em entrevista coletiva.
Petro também tentou negociar o fim do conflito com a guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN), a mais antiga do continente, mas as conversações foram interrompidas após um ataque dos rebeldes na fronteira que deixou mais de 100 mortos no início do ano passado.
O mesmo aconteceu com outra dissidência das Farc sob o comando de 'Iván Mordisco'. O guerrilheiro mais procurado do país decidiu abandonar as negociações e intensificou os atentados com carros-bomba e drones.
Analistas consideram que os grupos armados se fortaleceram durante a Paz Total, muito criticada pela oposição, por ex-presidentes e por militares da reserva em um país com mais de seis décadas de conflito armado.
Acusado por seus críticos de indulgência, Petro aumentou a pressão sobre os grupos armados às vésperas das eleições de 31 de maio, que definirão seu sucessor.
O presidente colombiano também foi pressionado pelo presidente americano, Donald Trump, que impôs sanções sob a alegação de que o governo colombiano não fez o suficiente para impedir o narcotráfico.
E.Borba--PC