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Dinheiro vivo ou escambo: o agitado mercado de animais de El Salvador
Um galo anuncia o início do dia no mercado de San Rafael Cedros, cidade a uns 50 km de San Salvador, onde todos os fins de semana vendedores e compradores participam de uma vibrante negociação de gado e animais de fazenda.
Nesse tradicional espaço, quase do tamanho de dois campos de futebol, são negociados bovinos, cavalos, porcos, coelhos, aves e cabras. Ao contrário de outros comércios, aqui não há cartões nem transferências eletrônicas: o dinheiro em espécie é a única moeda corrente. É isso ou o escambo.
“Usamos só ‘cash’ (dinheiro vivo), nada de transações nem de contas bancárias, porque a gente conta na hora. Se faltar, tem que completar”, explica Domar Argueta, comerciante de 28 anos.
De chapéu e camisa xadrez, como se veste a maioria para a ocasião, ele chegou com três cabeças de gado e saiu com um maço na mão, nota sobre nota.
Um touro pode custar cerca de 3.000 dólares (R$ 14.910, na cotação atual) e as vacas entre 600 e 1.000 (R$ 2.982 a R$ 4.970). A circulação de grandes quantias em dinheiro vivo já não causa medo como anos atrás, quando as gangues impunham sua lei.
Armando Sequeira tem mais de cinco décadas como “corretero”, como se chama localmente quem se dedica a comprar e vender gado nesses mercados populares conhecidos como “tiangues”.
Tempo atrás, membros de gangues mataram um dos filhos de Sequeira, hoje com 74 anos. O comerciante foi atacado umas 20 vezes, contou.
“Antes, às oito da manhã você não podia fazer negócio aqui porque os ‘mareros’ estavam te esperando. Agora respiramos melhor”, relata.
A atividade frenética do “tiangue” anima alguns a se aventurar num ofício sobre o qual pouco sabiam. Carlos Barrera, que voltou no ano passado depois de se autodeportar de Los Angeles, decidiu investir as economias que fez nos Estados Unidos.
“Por causa da idade já não tem trabalho em fábrica aqui. Um cunhado meu trabalhava com gado e nós começamos juntos”, comenta.
Embora os homens predominem, as mulheres também participam ativamente do mercado.
Carmen Carpio, com duas décadas de experiência como vendedora de porcos, garante que o negócio depende da capacidade e da destreza para investir.
“Aqui o importante é fazer o dinheiro girar. Se você tem dinheiro, investe em porcos, cabras ou gado e depois compra e vende. Esse é o nosso negócio”, afirma.
Entre cacarejos e mugidos, vendedores e compradores negociam cerca de 700 cabeças de gado a cada sábado nesse mercado dinâmico que, segundo a prefeitura, é um dos maiores de El Salvador e uma das principais fontes de renda de San Rafael Cedros.
P.Serra--PC