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Mais de 70 vítimas de Al Fayed receberam 'indenização completa' da Harrods
Até agora "mais de 75" vítimas de violência sexual de Mohamed Al Fayed, ex-proprietário da Harrods, morto em 2023, receberam uma "indenização completa" de um fundo criado pela luxuosa loja de departamentos, informou a empresa à AFP nesta quinta-feira (7).
As mais de 75 vítimas fazem parte das 259 pessoas que apresentaram um pedido de indenização no âmbito deste dispositivo, que permaneceu aberto até 31 de março.
"Até agora, mais de 75 sobreviventes receberam uma indenização completa através do programa", anunciou o Programa de Reparação da Harrods em um comunicado.
Os casos restantes "seguirão sendo revisados e tramitados até sua resolução", acrescentou o texto.
O anúncio da Harrods ocorre poucas horas depois de um organismo de controle policial britânico ter informado que abriu uma investigação contra um agente da ativa e quatro ex-membros da corporação, suspeitos de terem ignorado denúncias de agressões sexuais contra Al Fayed quando estava vivo.
Após um documentário da BBC sobre o caso, em setembro de 2024, a polícia de Londres admitiu ter recebido, antes da morte do bilionário egípcio em 2023, 21 testemunhos de mulheres contra o magnata, sem que tenha sido processado.
O organismo de controle policial (IOPC) explicou que sua investigação se concentra em como os agentes responderam as denúncias apresentadas por quatro pessoas.
"Nesta etapa, cinco pessoas - um membro em serviço da Polícia Metropolitana [de Londres] e quatro ex-agentes — foram informadas de que existe uma investigação contra elas por suposta má conduta", assinalou este organismo independente.
A investigação determinará se estes policiais devem ou deveriam ter sido alvos de um processo disciplinar, acrescentou a IOPC.
A polícia londrina informou que está colaborando com a investigação e detalhou que esta "não significa necessariamente que serão iniciados procedimentos disciplinares por má conduta".
A polícia interrogou este ano quatro pessoas - três mulheres e um homem -, suspeitas de cumplicidade no caso Al Fayed, e detalhou que 154 vítimas se apresentaram às autoridades desde a exibição do documentário da BBC.
Entrevistada pela emissora, Justine, uma ex-funcionária da Harrods e membro do coletivo de vítimas, contou ter falado com a polícia em 2018, mas que "depois não aconteceu nada".
"Era uma das últimas oportunidades reais para obter justiça enquanto ele continuava vivo, e foi perdida", lamentou.
A justiça francesa também investiga desde o ano passado um suposto esquema de tráfico de mulheres, organizado por Al Fayed, que também era proprietário do hotel Ritz, em Paris.
T.Resende--PC