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Ex-primeiro-ministro tailandês Thaksin Shinawatra deixa a prisão
O ex-primeiro-ministro tailandês Thaksin Shinawatra, condenado por corrupção, foi libertado de maneira antecipada de uma prisão de Bangcoc nesta segunda-feira (11), em meio à expectativa sobre seu eventual retorno à política do país.
O magnata das telecomunicações, 76 anos, cumpria desde setembro uma pena de prisão de um ano por corrupção e deverá utilizar uma tornozeleira eletrônica durante o período de liberdade condicional de quatro meses.
Thaksin abraçou parentes diante da prisão em Bangcoc, onde também era aguardado por centenas de apoiadores vestidos com suas características camisas vermelhas. Muitos gritaram "nós te amamos, Thaksin", segundo um correspondente da AFP.
"Não acredito que ele vai abandonar a política", disse Janthana Chaidej, 70 anos, cozinheira em um restaurante que tirou o dia de folga para demonstrar seu apoio. Thaksin "pode se afastar por alguns meses, mas não vai deixar a política", acrescentou.
"Entrei em hibernação por oito meses", disse o ex-primeiro-ministro aos jornalistas pela janela de seu carro diante de sua casa na capital. Ele afirmou que sentia "alívio" após a libertação.
O simpatizante Pao Nakao disse à AFP que estava feliz em ver Thaksin livre. "Sei que ele não vai nos abandonar", declarou o agricultor de 76 anos.
- Futuro incerto -
Em liberdade condicional até setembro, Thaksin ainda tem outros processos pendentes, o que poderia dissuadi-lo de pronunciar discursos e correr o risco de enfrentar novas ações judiciais, segundo analistas.
A família Shinawatra, com sua máquina política, tem sido uma rival crucial da elite pró-militar e monárquica da Tailândia, que considera seu estilo populista como uma ameaça à ordem social tradicional.
Nas últimas duas décadas, o partido de Shinawatra, o Pheu Thai, levou quatro primeiros-ministros ao poder e conta com amplo apoio da população rural.
O Pheu Thai, no entanto, teve seu pior resultado histórico nas eleições legislativas de fevereiro, o que provoca dúvidas sobre o futuro da dinastia de Thaksin.
A legenda aderiu à coalizão governante do primeiro-ministro conservador Anutin Charnvirakul, o que deixa aberta a possibilidade de um retorno político.
Mas os "velhos inimigos de Thaksin, os conservadores", devem se reunir ao redor de Anutin, que "tem o que Thaksin não tem: a confiança das elites", destacou o professor de Ciências Políticas Wanwichit Boonprong.
- Golpe -
Shinawatra foi primeiro-ministro entre 2001 e 2006, antes de viver no exílio por vários anos após um golpe militar que interrompeu seu segundo mandato.
Ele retornou ao país apenas em 2023 e foi condenado a oito anos de prisão por corrupção e abuso de poder.
Sua irmã mais nova, Yingluck, foi primeira-ministra de 2011 a 2014, mas também foi deposta pelo Exército. Sua filha, Paetongtarn, foi destituída do cargo de chefe de Governo em agosto de 2025, depois de passar apenas um ano no poder.
A administração penitenciária havia anunciado no fim de abril a libertação condicional do ex-primeiro-ministro, justificando a medida por sua idade avançada e pelo fato de que restava menos de um ano da sentença a cumprir.
S.Caetano--PC