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Venezuela diz a tribunal da ONU que é 'indispensável' negociar Essequibo com Guiana
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou, nesta segunda-feira (11), perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ), o mais alto tribunal da ONU, que as negociações diretas com a Guiana sobre a controvérsia territorial em torno do Essequibo são "inevitáveis e indispensáveis".
"A Venezuela está disposta a resolver a controvérsia territorial com a Guiana, mas essa solução deve ser alcançada em conformidade com o único marco jurídico válido que rege a controvérsia: o Acordo de Genebra de 1966. A solução negociada é, portanto, um encaminhamento inevitável e indispensável da controvérsia", declarou.
Esta é a primeira viagem de Rodríguez à Europa desde que assumiu a Presidência interina da Venezuela, após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em janeiro deste ano.
Ex-braço direito de Maduro, ela está incluída desde 2018 na lista de autoridades venezuelanas sancionadas pela União Europeia que, a princípio, estão proibidas de entrar no bloco.
No entanto, Rodríguez já havia representado a Venezuela em uma cúpula realizada em Bruxelas em 2023 entre a UE e países latino-americanos, e também em uma audiência anterior na CIJ pelo mesmo caso.
Desde que assumiu o cargo, Rodríguez fez apenas duas viagens fora da Venezuela para os países caribenhos vizinhos de Granada e Barbados.
Rodríguez e vários membros de sua delegação exibiam nesta segunda-feira um broche dourado que mostrava o mapa da Venezuela, incluindo também o território em disputa, semelhante ao utilizado pela presidente em sua viagem a Granada, que já havia provocado indignação na Guiana.
– Longa controvérsia e jazidas de petróleo –
Guiana e Venezuela têm uma disputa territorial pela região da Guiana Essequiba que remonta ao século XIX.
A disputa se intensificou a partir de 2015, depois da descoberta de vastos campos de petróleo em alto-mar pela ExxonMobil, o que tornou a Guiana o país com as maiores reservas de petróleo per capita do mundo.
A região do Essequibo compreende mais de dois terços do território da Guiana, que atualmente a controla.
A Venezuela reivindica esse território de 160.000 quilômetros quadrados.
A Guiana sustenta que o traçado de sua fronteira, datada da era colonial britânica, foi ratificada em 1899 por um Tribunal de Arbitragem em Paris e busca confirmação da CIJ.
A procuradora-geral da Venezuela, Arianny Seijo Noguera, afirmou que seu país "se mantém firme em sua negativa a reconhecer a jurisdição" da CIJ no caso.
"Sua presença aqui não constitui, nem deve jamais ser interpretada como uma aceitação da jurisdição da Corte para se pronunciar sobre esta controvérsia territorial", ressaltou.
Ao final da audiência, em um rápido contato com jornalistas venezuelanos, Rodríguez afirmou que seu país "jamais" considerou tornar-se o 51º estado dos Estados Unidos.
"Isto não está previsto, jamais estaria previsto porque, se há algo que nós, venezuelanos e venezuelanas, temos, é que amamos nosso processo de independência", assegurou.
Rodríguez declarou, ainda, que seu governo trabalha em "uma agenda diplomática de cooperação" com o governo do americano Donald Trump após restabelecer, em março, as relações diplomáticas rompidas por Maduro há sete anos.
O presidente republicano publicou, também em março, uma mensagem sarcástica em sua rede social sobre a possibilidade de a Venezuela tornar-se o 51º estado de seu país. Isso ocorreu após a vitória do país caribenho no Clássico Mundial de Beisebol contra a equipe americana.
A.Aguiar--PC