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Louvre negligenciou a segurança, afirma relatório parlamentar
O Louvre relegou as questões de segurança "a um segundo plano" nos últimos anos, denunciou nesta quarta-feira (13) uma Comissão Parlamentar de Inquérito criada na França após o grande roubo de joias em um dos museus mais visitados do mundo.
O roubo, em outubro do ano passado, de uma série de joias da Coroa do século XIX, avaliadas em mais de 100 milhões de dólares (489 milhões de reais), deixou a França em estado de choque e motivou a criação, em dezembro, da comissão parlamentar para investigar as falhas de segurança nos museus.
O documento elaborado pela comissão, presidida por Alexis Corbière e ao qual a AFP teve acesso, afirma que as "deficiências em termos de segurança" no Louvre já eram "conhecidas", graças a uma série de relatórios, incluindo uma auditoria de 2017 e outra de 2019.
As falhas de segurança, em um estabelecimento que recebe quase nove milhões de visitantes por ano, foram "relegadas a um segundo plano, atrás dos objetivos de projeção e influência, transformados em prioridades", afirmou o deputado de esquerda.
O Tribunal de Contas francês chegou à mesma conclusão no início de novembro, quando afirmou que o Louvre "privilegiou as operações visíveis e atrativas em detrimento da manutenção e da renovação dos edifícios, em particular da segurança".
Corbière também critica a "falta de controle" do Ministério da Cultura sobre as decisões da direção do museu, o que atribui ao sistema de escolha de seus diretores, nomeados pelo presidente francês.
Para abandonar a lógica do "capricho" presidencial, ele recomenda que os dirigentes do Louvre sejam escolhidos de maneira transparente pelo conselho de administração.
Entre as recomendações apresentadas no relatório está o aumento dos recursos do fundo de segurança criado pelo Ministério da Cultura após o roubo para adaptar a segurança dos museus.
Atualmente, o fundo conta com 30 milhões de euros (35 milhões de dólares, 171 milhões de reais).
Aumentar o número de agentes de segurança efetivos e seus salários são outras medidas recomendadas no relatório, elaborado após audiências com mais de 100 pessoas.
O deputado também questiona a pertinência do plano Louvre-Novo Renascimento, anunciado em 2025 pelo presidente francês, Emmanuel Macron, que prevê a renovação do edifício com o objetivo de receber até 15 milhões de visitantes no futuro.
O historiador de arte Christophe Leribault, 62 anos, assumiu em fevereiro a direção do Louvre para liderar a nova etapa, após a demissão de sua antecessora, Laurence des Cars, quatro meses depois do roubo.
A.S.Diogo--PC