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Papa Leão XIV defende luta contra o 'dominío' da IA em sua primeira encíclica
O papa Leão XIV pediu que a humanidade lute contra o "domínio" da inteligência artificial (IA) em sua primeira encíclica, publicada nesta segunda-feira (25), um documento que também denuncia a "desumanização" e o conceito de "guerra justa".
O texto de 130 páginas, com o título "Magnifica Humanitas" ("Magnífica Humanidade"), aborda uma variedade de questões, como a demora da Igreja em condenar a escravidão e o impacto da IA sobre o meio ambiente.
As encíclicas são documentos direcionados a todos os fiéis que estabelecem a posição de referência da Igreja sobre questões sociais, morais, políticas ou teológicas.
Diante da importância do documento, o pontífice o apresentou pessoalmente, ao lado de especialistas em IA, entre eles o cofundador da empresa Anthropic.
"Não podemos considerar a IA como moralmente neutra", afirma o papa, que apresenta um pedido para "desarmar" esta tecnologia e "impedir seu domínio sobre o humano".
Leão XIV também denuncia que o controle das plataformas, das infraestruturas e dos dados "não é prerrogativa dos Estados, mas sim de grandes atores econômicos e tecnológicos que, de fato, determinam as condições de acesso".
Citando, entre outros, Platão e J.R.R. Tolkien por sua luta contra a desumanização, o papa americano critica as "novas formas de escravidão" para extrair os recursos necessários à IA e pede soluções tecnológicas mais sustentáveis "para reduzir o impacto sobre o meio ambiente e cuidar da nossa Casa comum".
"Em algumas regiões do mundo, adolescentes e crianças trabalham em condições perigosas na trituração dos materiais dos quais se obtêm as terras raras" um grupo de metais essenciais para a tecnologia moderna.
"Corpos marcados, mutilados, desgastados para que o fluxo de cálculos não seja interrompido", denuncia o papa.
- Contra as "guerras justas" -
O bispo de Roma também aproveita a encíclica para pedir "perdão" pelo atraso histórico da Igreja em condenar a escravidão.
Além dos desafios tecnológicos, o papa adverte sobre o risco de "desumanização", alertando contra uma visão do ser humano reduzido ao seu desempenho ou a dados explorados por máquinas.
Desde a sua eleição, há um ano, o primeiro papa americano da história intensificou os alertas sobre os perigos da IA, em particular o seu uso no âmbito militar, e sobre a necessidade de uma "alfabetização digital".
"Nenhum algoritmo pode fazer com que a guerra seja moralmente aceitável", escreve Leão na encíclica.
Analistas acreditam que o impacto de "Magnifica Humanitas" pode ser comparável ao da encíclica "Laudato Si" ("Louvado Sejas"), de 2015, na qual o papa Francisco abordou a questão ecológica e que desencadeou uma onda de reações em todo o mundo.
Sem mencionar nomes, o pontífice reitera a necessidade de "superar a teoria da 'guerra justa'", um conceito defendido, entre outros, pelo governo americano de Donald Trump, e lamenta que "a humanidade esteja deslizando para uma cultura violenta do poder", que normaliza a guerra como "instrumento de política internacional".
Em abril, a Casa Branca criticou o papa por afirmar que "Deus não ouve as orações de quem faz a guerra", no contexto do conflito no Oriente Médio.
"Magnifica Humanitas" coroa vários anos de reflexão dentro da Igreja sobre as tecnologias relacionadas à IA.
Em 2020, a Santa Sé lançou, em conjunto com empresas de tecnologia e instituições acadêmicas, o Apelo de Roma para a Ética da IA, no qual defendia um desenvolvimento tecnológico respeitoso da dignidade humana.
N.Esteves--PC