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Muçulmanos apedrejam o diabo em momento crucial da peregrinação
Centenas de milhares de muçulmanos cumprem nesta quarta-feira (27), na Arábia Saudita, o último grande ritual da peregrinação anual a Meca com o apedrejamento simbólico de satanás, em um contexto conturbado pela guerra no Irã.
Desde o amanhecer, multidões de peregrinos reunidos no oeste do reino começaram a se concentrar em um ponto do vale de Mina, situado a poucos quilômetros de Meca, para lançar pedras contra colunas de concreto que simbolizam o diabo.
O ritual reproduz o apedrejamento do diabo por Abraão nos três lugares onde satanás teria tentado dissuadi-lo de obedecer à ordem de Deus para sacrificar seu filho Ismael.
Mais de 1,7 milhão de pessoas participam este ano da grande peregrinação anual, segundo os números oficiais divulgados na terça-feira.
Um número muito elevado, apesar do cenário conturbado provocado pela guerra no Irã e a incerteza sobre um acordo com os Estados Unidos ou uma retomada das hostilidades. Durante o conflito, Teerã atacou seus vizinhos do Golfo em retaliação, incluindo a Arábia Saudita.
Um frágil cessar-fogo está em vigor desde 8 de abril, mas as negociações para acabar com o conflito de forma duradoura parecem estagnadas.
O hajj, que consiste em uma série de rituais celebrados ao longo de vários dias, muitas vezes ao ar livre, acontece este ano, novamente, sob um calor escaldante.
Na terça-feira, os fiéis rezaram no Monte Arafat com temperaturas que chegaram a 45 graus.
Os peregrinos passaram a noite em Muzdalifah, a meio caminho entre Arafat e Mina, onde recolheram pedras para o "apedrejamento do diabo".
Após o lançamento das pedras, os fiéis retornam a Meca, a cidade mais sagrada do Islã, para uma última volta ao redor da Kaaba, a estrutura cúbica preta no coração da Grande Mesquita em direção da qual os muçulmanos de todo o mundo se voltam para rezar.
Este dia coincide com o Eid al-Adha, uma festa celebrada para recordar o sacrifício que Abraão esteve a ponto de consumar ao tentar imolar seu filho Ismael.
Segundo a tradição muçulmana, o anjo Gabriel propôs, no último momento, o sacrifício de um carneiro no lugar de seu filho.
Por este motivo, os muçulmanos degolam um animal, em geral um cordeiro, e oferecem uma parte da carne às pessoas carentes.
P.Serra--PC