Petro acusa EUA de se aliar com 'narcotraficantes' na Colômbia após apoio a opositor

Petro acusa EUA de se aliar com 'narcotraficantes' na Colômbia após apoio a opositor

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, acusou nesta quinta-feira os Estados Unidos de se aliar com "narcotraficantes" na Colômbia, após o presidente Donald Trump declarar apoio ao candidato da extrema direita no segundo turno das eleições presidenciais no país.

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Trump manifestou nesta semana apoio ao advogado milionário Abelardo de la Espriella, que liderou o primeiro turno no último domingo, superando o candidato de Petro, o senador Iván Cepeda.

Em entrevista à AFP no palácio presidencial, Petro afirmou que os "aliados" do governo americano na Colômbia "vêm da governança narco-paramilitar; são genocidas e narcotraficantes", e disse que esteve "prestes a morrer assassinado várias vezes", devido a uma perseguição contra a esquerda.

Petro tem sido um crítico ferrenho de Trump e bateu de frente com os governos de direita aliados a Washington na região, como os de Equador, Argentina, Chile e El Salvador.

"Lamento que figuras e governos que querem lutar contra o narcotráfico estejam ajudando a, precisamente, levar o poder político na Colômbia ao crime", disse o primeiro presidente esquerdista do país. O candidato do partido de Petro acusa De la Espriella de representar o "fascismo mafioso".

O advogado, 47, acumulou uma grande fortuna após representar durante anos figuras como paramilitares narcotraficantes, fraudadores e astros do futebol. Ele se apresenta como um empresário de sucesso, que fez fortuna com seu escritório de advocacia e outras atividades comerciais, como a venda de bebidas.

Após o apoio de Trump, o jurista prometeu se relacionar com Washington "como nunca antes" caso seja eleito presidente.

- 'Divide o mundo' -

A relação histórica entre Estados Unidos e Colômbia tornou-se tensa durante o governo Petro, que enfrentou Trump nas redes sociais em diversas ocasiões. O americano o chamou de "líder do narcotráfico" e impôs sanções financeiras contra ele, em meio ao aumento da violência no país, maior produtor mundial de cocaína.

"Estão implementando uma política ideológica que divide o mundo entre aqueles que pensam como eles e aqueles que não", ressaltou o presidente colombiano, enquanto comia uma barra de chocolate produzida por camponeses que trocaram a coca por cacau.

Durante a entrevista, Petro apresentou cifras que disse explicarem como os narcocultivos diminuíram no país durante seu mandato.

- Distância de Maduro -

Iván Cepeda, 63, afirmou que o apoio de Trump a De la Espriella tem um "tom intervencionista". O candidato da extrema direita propõe o fortalecimento das relações com os Estados Unidos, principal parceiro comercial e militar da Colômbia.

Os colombianos vão optar no próximo dia 21 entre a manutenção da "paz total", política com a qual o presidente tentou negociar o desarmamento de todos os grupos armados, e a "linha dura" de De la Espriella, com megaprisões e bombardeios.

Antigo aliado da Venezuela, Petro se distanciou do presidente deposto Nicolás Maduro. "Eu realmente conheci Hugo Chávez" quando ele governava, mas, depois, "não voltei à Venezuela. Senti uma degradação política desse processo", disse o colombiano.

Petro afirmou que conversou com Maduro após não reconhecer o resultado das eleições venezuelanas de 2024. "Disse a ele: 'Aprenda a fazer oposição como fizemos durante 50 anos na Colômbia'."

G.Teles--PC