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Papa pede fim da polarização no 1º dia de sua visita à Espanha
O papa Leão XIV pediu, neste sábado (6), o fim das "narrativas divisivas e polarizantes" e as "simplificações estéreis" no primeiro dia de sua visita à Espanha, centrada na migração, um tema que tem dividido o debate público.
O papa também agradeceu o "compromisso ativo com a paz" e a "fidelidade ao direito internacional" da Espanha, cujo chefe de governo, o socialista Pedro Sánchez, teve atritos com o presidente americano, Donald Trump, pela guerra no Irã e com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pela guerra em Gaza.
O próprio pontífice, de nacionalidade americana e peruana, foi duramente criticado por Trump por sua posição antibelicista.
Leão XIV lamentou que a mensagem da paz "nestes tempos, infelizmente, ressoe para alguns como ingênua e para outros como provocadora", em um discurso pronunciado no Palácio Real, em Madri, onde foi recebido pelo rei Felipe VI e pela rainha Letizia.
O discurso foi muito aplaudido, inclusive por Santiago Abascal, líder do partido de extrema direita Vox, que é crítico à postura de acolhida aos migrantes da Igreja.
- A "ferida aberta" dos abusos -
Durante o voo para Madri, o pontífice abordou uma das principais questões de sua viagem, os abusos sexuais dentro da Igreja, com cujas vítimas tem previsto se reunir nestes dias.
"Os abusos ainda são uma ferida aberta", disse Leão XIV.
O Defensor do Povo espanhol avaliou, em um relatório publicado em 2023 que, desde 1940, mais de 200.000 menores poderiam ter sofrido agressões por parte de religiosos católicos.
O governo de Sánchez e a Igreja espanhola assinaram, no fim de março, um acordo para indenizar as vítimas de crimes sexuais, após anos de reticências e nebulosidade por parte da hierarquia eclesiástica.
À tarde, Leão XIV se reuniu com pessoas marginalizadas em um centro para pessoas em situação de rua da Cáritas, onde criticou o fato de que “o exercício da caridade seja desprezado ou ridicularizado” no mundo atual.
Posteriormente, o pontífice, de 70 anos, conduziu uma vigília nas áreas ao redor do estádio Santiago Bernabéu, do Real Madrid, à qual compareceram 500 mil pessoas, em sua maioria jovens, que lhe recepcionaram entre cantos de “Leão, amigo, a Espanha está contigo” e bandeiras espanholas e do Vaticano.
- “Oportunidade histórica” -
“Vim com minhas amigas (...) Perturbei para vir”, disse à AFP Catarina Escobar, uma madrilenha de 12 anos que vai à missa toda semana.
Pablo Fernández, um professor de 28 anos, afirmou que poder ver o papa “é uma oportunidade histórica”, recordando que a última vez que um papa foi à Espanha foi Bento XVI, em 2011.
“Diante do vazio da indiferença e do conformismo, diante da violência da guerra e da mentira, sejam vocês mesmos faísca de uma humanidade nova”, declarou o papa aos jovens.
"Se confrontados com a pergunta de se querem ver Bad Bunny ou se querem ver o papa, acho que muitos vão ver Bad Bunny. Mas também acho que haverá alguns que virão ver o papa. E isso diz alguma coisa", havia dito antes o papa, em alusão ao cantor porto-riquenho, que se apresenta nestes dias em Madri.
Embora a prática religiosa tenha diminuído consideravelmente neste bastião histórico do catolicismo na Europa, o pontífice tem previstos vários atos multitudinários em sua agenda.
No domingo, ele se reunirá com um milhão de fiéis em uma missa no coração de Madri, na praça de Cibeles.
- Homenagem aos migrantes -
Na segunda-feira, Leão XIV se tornará o primeiro papa a comparecer no Parlamento espanhol, onde dará um discurso para os legisladores das duas câmaras.
No dia seguinte, o pontífice irá para Barcelona, onde terminará na quarta-feira com uma missa na Sagrada Família, há meses transformada na igreja mais alta do mundo.
No dia seguinte, o papa voará até o arquipélago das Ilhas Canárias, situado em frente à costa africana e principal porta de entrada de migrantes irregulares na Espanha.
Ao lado de Pedro Sánchez, se reunirá com migrantes e fará uma oferenda de flores em homenagem aos milhares de migrantes mortos na perigosa travessia pelo Atlântico para tentar chegar à Europa.
Ao contrário de outros países vizinhos, o Governo de Sánchez impulsionou recentemente um plano amplo de regularização de migrantes sem documentos, que deveria normalizar a situação de meio milhão de pessoas, em sua maioria latino-americanas.
A medida lhe rendeu fortes críticas do conservador Partido Popular e do Vox.
A.Silveira--PC