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Número de mortos nos terremotos na Venezuela sobe para 589; país acelera busca por sobreviventes
Com equipamentos pesados ou com as próprias mãos, socorristas e voluntários procuravam sobreviventes nesta sexta-feira (26) dos terremotos que sacudiram a Venezuela na quarta-feira e deixaram, oficialmente, 589 mortos e milhares de desaparecidos.
Os tremores de 7,2 e 7,5 graus de magnitude que atingiram o norte do país na quarta-feira deixaram um cenário de devastação, com dezenas de prédios que desabaram, em particular na região de La Guaira, uma cidade litorânea próxima de Caracas.
Equipes internacionais de busca e resgate de pelo menos 17 países estão se mobilizando para ajudar, anunciou nesta sexta-feira a ONU. Socorristas de El Salvador e do México já desembarcaram em Caracas. A imprensa venezuelana também informou sobre a chegada de equipes e insumos do Chile e da Suíça.
Os trabalhos de resgate avançam lentamente e há corpos ainda visíveis sob os escombros.
Em Caracas, na madrugada, operários iluminados por um refletor utilizavam marretas nos escombros de um prédio destruído. "Silêncio absoluto", grita um deles, para tentar escutar possíveis pessoas presas. "Uma lanterna, uma lanterna", pede outro.
O balanço oficial de mortos subiu de 235 na quinta-feira para 589 na manhã de sexta, informou a presidente interina Delcy Rodríguez durante uma reunião com comandantes militares e civis transmitida pela TV estatal. O número de feridos foi revisado para 2.980 pessoas, contra quase 4.300 mencionados na véspera.
Mas as redes sociais estão dominadas por pedidos de informações sobre desaparecidos. Um portal de internet criado por venezuelanos para ajudar na busca cita quase 50.000 pessoas cujos parentes não conseguiram entrar em contato desde os tremores.
O presidente da Assembleia Nacional e irmão da presidente, Jorge Rodríguez, afirmou na quinta-feira que o governo contabilizou mais de 200 pessoas presas nos escombros.
- "Ele está aqui" -
Em La Guaira, onde fica o aeroporto mais importante do país, fechado devido aos danos provocados pelos terremotos, alguns moradores tentam resgatar os parentes soterrados.
"Ele está aqui", afirma, entre lágrimas, Alessandro del Giudice, um jovem de 23 anos que tenta encontrar o pai sob uma montanha de escombros.
Sua avó Amparo, desesperada, tenta retirar as ruínas com as próprias mãos em busca do filho. "São muitas pedras e com as mãos não é possível", disse pouco depois, impotente.
A presidente Delcy Rodríguez, que assumiu o poder de forma interina em janeiro, após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, visitou La Guaira na quinta-feira, onde declarou "zona de desastre".
A AFP constatou saques na região. "Não é momento de saquear, é momento de impor a lei", disse Argenis Méndez, um morador da região, que lamenta a escassez de recursos para os resgates.
"As autoridades não servem, não servem, porque aqui deveriam estar os militares com todos os equipamentos", acrescentou.
- "Minha filha está desaparecida" -
Países como Brasil, Espanha, Portugal e China anunciaram a morte de cidadãos, assim como desaparecidos. O governo brasileiro informou que dois cidadãos do país morreram na tragédia. A Espanha informou quatro mortos e 99 desaparecidos. Portugal comunicou nove mortos e 56 cidadãos que não foram localizados.
Os venezuelanos consultam listas divulgadas pelos hospitais públicos com os nomes de feridos.
"Minha casa caiu por completo, perdi família, minha sogra morreu, minha filha está desaparecida, não a encontro", disse, em La Guaira, Jean Alexander Capote, de 48 anos.
Rita Gómez, 60 anos, viajou durante toda a noite de Maracaibo até Caracas, após ver nas redes sociais imagens do prédio onde sua filha morava completamente destruído. "Estou confiando em Deus para que consigam encontrá-la com vida", disse.
Em um muro, destacava-se a fotografia de um menino de 6 anos. Ao lado dela, lia-se: "Desaparecido no terremoto", juntamente com seu nome e um telefone para contato. Última localização conhecida: La Guaira.
- Ajuda internacional -
A líder opositora e Nobel da Paz María Corina Machado pediu a libertação de "todos os presos políticos", civis e militares, "para que possam ser recebidos por suas famílias nestas horas trágicas".
Após a promessa do presidente Donald Trump de ajudar seus "novos e grandes amigos", o governo dos Estados Unidos ofereceu 150 milhões de dólares e o envio de dois navios de guerra, aviões de transporte e helicópteros para apoiar a Venezuela.
Um general do Comando Sul, Kevin J. Jarrard, já está em Caracas para "supervisionar" as operações para salvar vidas e prestar "assistência humanitária nas zonas afetadas".
Muitos países da América Latina também expressaram solidariedade e ofereceram ajuda. Outros países, como Espanha, Alemanha, Itália, China e Índia, também prometeram enviar equipes.
O primeiro terremoto ocorreu às 18h04 locais de quarta-feira, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Quase um minuto depois, ocorreu o segundo, de magnitude 7,5, o mais forte a atingir a Venezuela desde 1900.
A força dos terremotos foi sentida até mesmo na Colômbia. Desde então, foram registrados mais de 130 tremores secundários. A Venezuela é um país de atividade sísmica, mas um grande terremoto não era registrado desde 1997.
L.E.Campos--PC