'Mayo' Zambada, o último dos grandes traficantes mexicanos condenado à prisão perpétua nos EUA
'Mayo' Zambada, o último dos grandes traficantes mexicanos condenado à prisão perpétua nos EUA / foto: Rodrigo Oropeza - AFP/Arquivos

'Mayo' Zambada, o último dos grandes traficantes mexicanos condenado à prisão perpétua nos EUA

Ismael "Mayo" Zambada, cofundador do Cartel de Sinaloa condenado à prisão perpétua em Nova York nesta segunda-feira (20), é o último dos chefões históricos do tráfico de drogas mexicano.

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Zambada foi preso em um aeroporto no sul dos Estados Unidos em 26 de julho de 2024 após supostamente ter sido atraído para lá sob falsos pretextos pelo filho de seu ex-parceiro Joaquín "El Chapo" Guzmán.

Em agosto de 2025, ele se declarou culpado de tráfico de drogas para evitar a pena de morte. Nesta segunda-feira, a Justiça americana o condenou à prisão perpétua.

Apelidado de "senhor do chapéu", o homem de 76 anos é o último dos narcotraficantes históricos do México. "El Chapo" Guzmán já cumpre pena de prisão perpétua nos Estados Unidos, e o líder do poderoso Cartel Jalisco Nova Geração, Nemesio Oseguera "El Mencho", morreu em fevereiro durante uma operação do exército mexicano para capturá-lo.

Apesar disso, o México não se livrou da violência do crime.

Uma guerra interna no Cartel de Sinaloa entre os herdeiros de "El Mayo" e os filhos de "El Chapo", que trocam acusações, deixou 2.000 mortos em dois anos neste estado.

Para reduzir a própria pena, Vicente Zambada, filho de "El Mayo", colaborou em 2019 com a Justiça americana, depondo no julgamento contra "El Chapo". Agora vive com outra identidade sob o programa de proteção a testemunhas.

Este testemunho levou um dos filhos de "El Chapo" a arquitetar a entrega de Ismael Zambada aos EUA cinco anos depois.

- Discreto e esquivo -

Ex-trabalhador agrícola, Zambada foi subindo na hierarquia dos cartéis mexicanos com uma discrição que lhe permitiu, durante décadas, escapar da Justiça do México e de várias tentativas de assassinato.

Ele nasceu no estado de Sinaloa, no oeste do país. Lá, viveu na juventude o auge do cultivo de maconha e ópio, antes que a região se tornasse uma plataforma para o tráfico da cocaína colombiana para aos Estados Unidos.

Ele iniciou sua carreira no crime aos 16 anos, trabalhando para os cartéis de Juárez e Guadalajara. Em meio ao declínio de outras facções, formou sua própria junto a "El Chapo", também natural de Sinaloa.

Documentos judiciais americanos o descrevem como inteligente e extremamente cruel.

Segundo os promotores, Zambada participou de "assassinatos sistemáticos" de policiais, militares e membros do cartel. Ele supostamente ordenou o assassinato do próprio sobrinho, que foi encontrado morto dentro de um carro.

Em 2010, ele concedeu uma breve entrevista à revista mexicana Proceso, na qual afirmou que sentiu que o Exército mexicano esteve perto de capturá-lo em quatro ocasiões e que a ideia de ser preso o enchia de "pânico".

Nessa entrevista, Zambada declarou que sua prisão ou morte não mudariam nada no cenário do narcotráfico no México, onde a violência deixou cerca de 450 mil mortos e mais de 130 mil desaparecidos desde que o governo declarou guerra aberta às drogas com envolvimento militar, em 2006.

- Tensão entre México e EUA -

A incógnita sobre os detalhes da prisão de Zambada tensionou as relações entre os governos de Claudia Sheinbaum e Donald Trump.

Sua sentença foi comunicada em meio às acusações de tráfico de drogas apresentadas pela Justiça dos EUA contra o governador suspenso de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, membro do partido de Sheinbaum.

O governo mexicano alega que a prisão de Zambada foi resultado de uma operação secreta das autoridades americanas em território mexicano, o que constituiria uma violação de sua soberania.

Os Estados Unidos negaram qualquer envolvimento no sequestro.

No entanto, a recente exibição do avião em que "El Mayo" chegou aos EUA, como parte de uma exposição de artefatos usados em operações do FBI, levou o México a exigir explicações sobre a presença não autorizada do FBI em território mexicano.

L.Mesquita--PC