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Festival de cinema de Berlim começa em pleno auge da extrema direita
O americano Todd Haynes e a atriz escocesa Tilda Swinton estão entre as estrelas da 75ª Berlinale, que começa nesta quinta-feira (13), em um contexto de auge da extrema direita no mundo, e a dez dias das eleições legislativas alemãs.
“Um festival como este é uma rejeição (...) de todas as ideias difundidas por muitos partidos de extrema direita”, disse a diretora do festival, Tricia Tuttle, na coletiva de imprensa do júri, dando o tom do festival.
A Berlinale, o primeiro grande evento da indústria cinematográfica do ano, é geralmente vista como um festival progressista e político, e normalmente atrai menos atenção do que as competições de Veneza ou Cannes.
“Estamos atualmente passando por uma crise particular nos Estados Unidos, mas também em todo o mundo”, disse o diretor Todd Haynes, presidente do júri, ao lado de Tuttle, observando a "preocupação e o choque" gerados nas três primeiras semanas do governo Trump.
A Alemanha está no meio de uma campanha eleitoral, com eleições parlamentares marcadas para 23 de fevereiro, um dia após a cerimônia de premiação.
As pesquisas preveem que o partido de extrema direita AfD ficará em segundo lugar, atrás apenas dos conservadores.
Nesse contexto, as declarações dos convidados de Berlim serão examinadas de perto, especialmente as dos atores e cineastas alemães, como Tom Tykwer, diretor do filme de abertura “Das Licht”.
O filme trata da chegada de uma imigrante síria contratada como empregada doméstica de uma família berlinense, o que a leva a “uma jornada rumo ao desconhecido”.
O cineasta de 59 anos, mais conhecido pelo filme “Corra, Lola, Corra”, disse que seu novo trabalho se passa em uma era contemporânea em que “a democracia está novamente sendo questionada” por forças políticas que visam “excluir e marginalizar”.
A noite de abertura contará com a apresentação de um Urso de Ouro honorário para Tilda Swinton por sua carreira de atriz, que inclui o mais recente trabalho do espanhol Pedro Almodóvar, “O Quarto ao Lado”.
Os membros do júri começarão a trabalhar na sexta-feira com a exibição dos primeiros filmes em competição.
Presidido por Haynes (“O Preço da Verdade”, “Carol”), o júri terá que escolher o vencedor do Urso de Ouro entre 19 longas-metragens.
Na competição estão o mexicano Michel Franco com “Dreams”, o brasileiro Gabriel Mascaro com “O último azul” e o argentino Iván Fund com “El mensaje”.
A produção de Franco é um drama estrelado por Jessica Chastain e Isaac Hernandez sobre uma jovem dançarina de balé mexicana que atravessa a fronteira para fazer sucesso nos Estados Unidos.
Também disputarão o prêmio principal o americano Richard Linklater e o sul-coreano Hong Sang-Soo.
A Berlinale, que tende a ser menos estrelada do que outros festivais europeus, está procurando dar um pouco mais de brilho ao seu tapete vermelho, e é por isso que Tuttle, recém-chegada ao comando do festival, escalou várias celebridades: Timothée Chalamet, Jessica Chastain, Marion Cotillard, Ethan Hawke e Robert Pattinson.
X.M.Francisco--PC