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Gigantes dos meios de comunicação dos EUA cedem às pressões de Trump por cálculo econômico
A suspensão do programa de televisão de Jimmy Kimmel nesta semana faz parte de uma série de concessões que grandes meios de comunicação americanos fizeram diante da forte pressão do governo de Donald Trump, ao priorizar seus interesses econômicos acima da liberdade de expressão.
Esta suspensão por parte da rede ABC ocorre após o popular apresentador afirmar que parte da direita dos Estados Unidos tenta explorar politicamente o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk, que ocorreu na semana passada em Utah.
Antes que a ABC suspendesse o "Jimmy Kimmel Live!", a CBS anunciou, em julho, que o programa do humorista Stephen Colbert, outro crítico implacável de Trump, sairá do ar em 2026.
Colbert criticou o acordo milionário entre Trump e a Paramount, empresa aliada da CBS, para encerrar uma ação movida pelo presidente. Ele disse que pagar 16 milhões de dólares (aproximadamente 85 milhões de reais) foi "um bom suborno".
Em dezembro, a ABC pagou 15 milhões de dólares (cerca de 79,5 milhões de reais) para resolver outra disputa iniciada pelo ex-promotor imobiliário.
O caso Kimmel foi amplificado por um comentário do diretor do regulador de comunicações dos Estados Unidos (FCC), Brendan Carr. O funcionário, nomeado por Trump, criticou as declarações do humorista e ameaçou retirar a licença de transmissão da emissora.
A bordo do Air Force One, de volta de sua visita ao Reino Unido, o presidente republicano reclamou dos jornalistas e das emissoras de televisão: "Tudo o que fazem é criticar o Trump".
"Eles têm uma licença. Não está permitido fazer isso", afirmou.
Na quinta-feira (18), o senador democrata Richard Blumenthal qualificou no X esta intervenção como "um ato de censura governamental sem precedentes".
Para Ken Paulson, diretor do centro de liberdade de expressão da Universidade Estatal do Middle Tennessee, "o problema é que as empresas se baseiam apenas em considerações financeiras e não protegem os interesses do público".
- "Corrigir os vieses" -
A maioria do especialistas concorda que a justiça teria rejeitado as demandas de Donald Trump ou de seu governo em todos esses casos.
"A ABC tinha todos os meios jurídicos para defender (Jimmy Kimmel)", sustentou Jeffrey McCall, professor da Universidade DePauw. "Mas decidiram que já não era viável do ponto de vista do público e da receita", apontou.
O episódio Colbert ocorreu enquanto a FCC deveria decidir sobre a aquisição da Paramount Global pela empresa de produção Skydance. A autorização foi concedida dias depois.
Em um fato sem precedentes, a FCC obteve da Skydance a promessa de adotar "medidas destinadas a corrigir os vieses que prejudicaram a confiança (do público) no meios nacionais".
Diante das críticas pela suspensão de Jimmy Kimmel, vários editorialistas de direita contrapõem a demissão em 2023 da emissora Fox News, de público conservador, de seu polêmico apresentador estrela Tucker Carlson, que perdeu inúmeros anunciantes.
Também mencionaram o nome da comediante Roseanne Barr, demitida pela ABC em 2018 por uma postagem de caráter racista.
- "Coerção" -
"Não é de forma alguma comparável", respondeu Ken Paulson. "Quando o público não está feliz, as redes podem levar isto em conta. Quando é o governo, é coerção".
Na quinta-feira, Donald Trump mencionou a suspensão das licenças para as emissoras que estejam "contra ele".
As acusações contra a ABC e CBS estão inseridas em um contexto de ofensiva contra os meios de comunicação ao quais o governo Trump considera de esquerda.
Em julho, o Congresso aprovou uma lei que elimina por completo o subsídio previsto para o setor audiovisual público americano pelos próximos dois anos.
McCall lembra que a FCC só tem autoridade sobre as grandes emissoras de televisão aberta e não sobre a televisão a cabo ou as plataformas online.
No entanto, alguns temem que a família Ellison, próxima a Donald Trump e já à frente da Paramount Global, assuma o controle da Warner Bros Discovery (uma oferta estaria sendo preparada) e, particularmente, do canal de notícias CNN.
"A CBS e CNN podem em breve se tornar algo muito similar ao que os Murdoch nos servem diariamente", escreveu o colunista William Cohan no The New York Times, em referência à emissora Fox News e ao tabloide The New Post.
Para ele , "isso quebraria ainda mais a frágil armadura da democracia americana".
O.Gaspar--PC