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'Injusto': turistas de fora da Europa criticam alta de preços no Louvre
"É injusto", diz uma turista uruguaia sobre o aumento de 45% nas tarifas para visitantes de fora da Europa, em vigor desde esta quarta-feira(14), para entrar no Louvre, em Paris, o museu mais visitado do mundo.
Com a medida, turistas de fora do Espaço Econômico Europeu (União Europeia mais Islândia, Liechtenstein e Noruega) passaram a pagar 32 euros (cerca de R$200) para visitar os 73 mil m² do museu parisiense, 10 euros a mais (cerca de R$63) do que os visitantes europeus. A política tem poucos equivalentes no continente.
Outros monumentos da capital francesa, como a Sainte-Chapelle e a Conciergerie, também adotaram nesta semana tarifas diferenciadas conforme a origem do visitante.
"É injusto para quem vem de mais longe, porque você favorece quem já está aqui (...) e fica muito mais barato do que para nós, que viajamos mais de 10 mil quilômetros", reclama Pamela González, do Uruguai, prestes a entrar no Louvre com o filho adolescente.
"Para nós, a passagem é muito cara, a estadia também por causa do câmbio, e ainda colocam um custo 50% maior", acrescenta. "Em outros países isso não acontece".
Outros turistas criticam a diferença de preços para visitantes de países com menos recursos.
"Se eu viajo para a Índia, os indianos pagam menos, e isso é justo, porque têm menos dinheiro", diz a brasileira Marcia Branco. "Mas estou em um país rico. Venho de um país menos rico, então acho injusto pagar muito mais".
Para alguns visitantes, porém, as novas tarifas são aceitáveis.
"É o mesmo preço de muitas coisas na Itália, em Malta (...) desse porte", afirma o australiano Kevin Flynn, que viaja pela França com a esposa Sonia.
O governo francês justificou o aumento por razões financeiras. Segundo o Ministério da Cultura, as novas tarifas devem gerar entre 20 e 30 milhões de euros por ano (entre cerca de R$125 milhões e R$188 milhões), destinados ao projeto de renovação do Louvre, que recebeu nove milhões de visitantes no ano passado e cujas instalações precisam ser "modernizadas".
Embora o valor do ingresso seja semelhante ao de outros museus, a diferenciação por país de origem é rara na Europa e nos Estados Unidos. Para os sindicatos do Louvre, a medida é "ofensiva do ponto de vista filosófico, social e humano" e integra as críticas que alimentam a mobilização dos funcionários, que desde dezembro realizam protestos e greves por melhores condições de trabalho.
P.Queiroz--PC