-
Concurso da Guarda Municipal mantém inscrições abertas até 18 de novembro
-
Exposição itinerante do Museu do Aljube chega a Palmela e Pinhal Novo
-
Novas regras para atendimento ao consumidor entram em vigor
-
Ministra anuncia apoio de até 15 mil euros para compra de carros elétricos a famílias carenciadas
-
Duas pessoas morrem em acidente de asa-delta em São Conrado
-
Megafone debate mobilidade e direitos na Área Metropolitana de Lisboa
-
Gabigol contesta queda do Santos e questiona arbitragem após derrota
-
Andrey Santos explica opção pelo Vasco após conversas com o Palmeiras
-
Madrugada de quarta-feira será a mais fria da semana com mínimas perto dos 0 ºC
-
Novo formato mantém acesso à Série B em aberto na reta final
-
Google desmantela rede criminosa com backdoors em caixas Android TV
-
Matheus Bidu atua com hérnia pelo Corinthians e fará cirurgia no fim de 2026
-
Queda de asa-delta em São Conrado provoca duas mortes
-
Flávio Bolsonaro reaparece em culto na Flórida após deixar o Brasil
-
Defesa de Daniel Vorcaro leva caso à Comissão Interamericana contra o Brasil
Leonardo Sbaraglia, o alter ego de Almodóvar no cinema
Em "Natal Amargo", filme de Pedro Almodóvar em competição em Cannes, o argentino Leonardo Sbaraglia interpreta um cineasta com problemas de inspiração, em um retrato pouco amável do veterano diretor espanhol.
Sbaraglia se diz encantado por ter encarnado Raúl Durán, um famoso diretor de cinema que, para compensar a falta de boas ideias, se alimenta dos problemas de seus amigos para escrever seus roteiros.
"A primeira coisa que [Almodóvar] me disse quando me ofereceu o papel foi: 'não quero um retrato amável'", lembra o ator de cabelos grisalhos encaracolados, em entrevista à AFP em Cannes.
"Ele queria se ver como uma espécie de [...] vampirizador", como um personagem o acusa no filme, explica o ator de 55 anos.
Para Sbaraglia, o dilema é saber se vale a pena se aproveitar das experiências dos amigos, e às vezes sacrificar essas relações, para fazer uma obra de arte que possa ter um impacto maior.
"Estou pegando algo da vida e do meu entorno ou da vida de alguém muito querido e levando isso para inspirar o coração de milhões de pessoas" no cinema, afirma o ator, explicando como vê esse dilema.
Em sua opinião, é evidente que os 24 filmes de Almodóvar contribuíram para "inspirar, revolucionar, dar coragem a grupos marginalizados". Com seu cinema, "ajudou muito para que o mundo, de maneira muito concreta, tivesse uma voz e uma coragem".
- "Exigência" -
Esta é a segunda vez que Sbaraglia filma com o cineasta manchego. Na colaboração anterior, em "Dor e Glória" (2019), também um filme introspectivo sobre seu trabalho de diretor, o ator argentino interpretava um amante do protagonista.
Agora, o ator de "Relatos Selvagens" foi mais longe e encarna o próprio diretor.
"Foi uma experiência muito exigente, muito demandante e, ao mesmo tempo, arrebatadora", explica.
"É um homem arrebatador, um homem com convicções profundas e com uma espécie de consistência criativa tremenda", diz Sbaraglia sobre Almodóvar. "Sinto sempre como se fosse um Dalí, um Picasso que está tecendo, pintando, construindo cores, construindo mundos".
"A gente é como se fosse mais uma peça dentro de um grande mosaico", prossegue, e "é muito interessante fazer parte de seu mundo".
Em "Natal Amargo", Sbaraglia divide o elenco com Bárbara Lennie, que interpreta uma das personagens fictícias da história que Raúl Durán está escrevendo, e com Aitana Sánchez-Gijón, a assistente do diretor.
Na filmagem, "a maior dificuldade foi a própria exigência", diz Sbaraglia, porque, quando Almodóvar "te diz quero que você faça isto... o primeiro inimigo é você mesmo".
O ator saboreia um ano excepcional de trabalho. Além de "Natal Amargo", também está em Cannes com outro filme, "Karma", no qual interpreta o companheiro da francesa Marion Cotillard.
Talvez seja um momento de boa fase que possa levar a uma nova colaboração com o autor de "Tudo Sobre Minha Mãe" e "Volver".
Questionado se já se sente um 'garoto Almodóvar', responde entre risadas: "Não sei, com uma terceira talvez".
A.Seabra--PC