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'Minotaur', o drama russo em Cannes que tem 'desastre' da guerra como cenário
O cineasta russo Andrey Zvyagintsev, que quase morreu durante a pandemia de covid, apresentou nesta terça-feira (19), em Cannes, seu novo filme, "Minotaur", um drama familiar ambientado no "desastre" da guerra na Ucrânia.
"Minotaur", em competição pela Palma de Ouro, narra a história de um casamento de classe alta que se desfaz enquanto o país entra em guerra com a Ucrânia. Por meio dessa família, o filme retrata o declínio moral da sociedade russa e a corrupção desenfreada no país.
Inspirado em "A Mulher Infiel" (1969), de Claude Chabrol, Zvyagintsev trabalhava no projeto desde 2022, quando Moscou lançou a invasão da Ucrânia.
"É impossível filmar um conto de fadas ou uma história melodramática sem o contexto social, político etc. Foi assim que a guerra entrou em nosso filme", disse o cineasta à AFP.
Filmada na Letônia, a guerra funciona como pano de fundo da história: um trem que transporta tanques, o recrutamento para ir ao front, cartazes patrióticos...
"Quem concorda que é hora de pôr fim a este inferno, e que isto é um pesadelo e um desastre para a Rússia, entenderá claramente este filme", disse o autor de "Leviatã" e "Sem Amor".
"Do jeito que as coisas estão, este filme não obterá um certificado de distribuição. Mas, na Rússia, a indústria da pirataria é forte, então todos os que quiserem vê-lo sem dúvida o verão", acrescentou.
"Minotaur" é seu primeiro filme em nove anos e o primeiro no exílio.
Durante a pandemia, Zvyagintsev, de 62 anos, não conseguiu caminhar por um ano e passou 40 dias em coma induzido na Europa, após uma reação extrema à vacina russa contra a covid Sputnik V.
O cineasta decidiu então deixar seu país e, desde então, vive na França.
"Estive à beira da morte. É quase como se tivesse cruzado para o outro lado e, do outro lado, eu tivesse dito a mim mesmo que não era tão interessante. O interessante é o que acontece aqui", afirmou. "Tomei a decisão de transformar minha vida em algo muito mais intenso do que costumava ser".
M.Carneiro--PC