-
Concurso da Guarda Municipal mantém inscrições abertas até 18 de novembro
-
Exposição itinerante do Museu do Aljube chega a Palmela e Pinhal Novo
-
Novas regras para atendimento ao consumidor entram em vigor
-
Ministra anuncia apoio de até 15 mil euros para compra de carros elétricos a famílias carenciadas
-
Duas pessoas morrem em acidente de asa-delta em São Conrado
-
Megafone debate mobilidade e direitos na Área Metropolitana de Lisboa
-
Gabigol contesta queda do Santos e questiona arbitragem após derrota
-
Andrey Santos explica opção pelo Vasco após conversas com o Palmeiras
-
Madrugada de quarta-feira será a mais fria da semana com mínimas perto dos 0 ºC
-
Novo formato mantém acesso à Série B em aberto na reta final
-
Google desmantela rede criminosa com backdoors em caixas Android TV
-
Matheus Bidu atua com hérnia pelo Corinthians e fará cirurgia no fim de 2026
-
Queda de asa-delta em São Conrado provoca duas mortes
-
Flávio Bolsonaro reaparece em culto na Flórida após deixar o Brasil
-
Defesa de Daniel Vorcaro leva caso à Comissão Interamericana contra o Brasil
Chilena desafia seus 100 anos com a cadência do balé
Apoiada na bengala ou na barra em seu estúdio de balé em Santiago, Evelyn Cordero arqueia um braço e corrige a postura de suas alunas, várias delas octogenárias. Aos 100 anos, seus olhos brilham quando diz: "Até nos meus sonhos, eu danço".
Em um Chile onde a depressão atinge especialmente a velhice, a bailarina dirige desde 1994 uma escola de balé que recebe estudantes de quatro a 80 anos.
Ela tem cinco filhos, 14 netos e 19 bisnetos e foi recentemente incluída entre os 100 Líderes da Terceira Idade no Chile, da Fundação Conecta Mayor, em reconhecimento por seu trabalho na dança por mais de quatro gerações.
Em uma sala cercada por espelhos e cortinas roxas, todas as terças-feiras pela manhã, durante uma hora e meia, esta mulher de cabelos brancos e olhos vivos dá aulas a um grupo de dez pessoas de entre 50 e 80 anos.
Apesar da idade avançada, que a deixou mais lenta, e de seus problemas de audição, quando a música começa ela mostra uma energia incomum, mesmo tendo trocado as sapatilhas de balé por tênis, mais estáveis e confortáveis.
"Alonguem-se quando dançarem e mexam a cabeça", grita para melhorar cada postura. De vez em quando, cantarola uma melodia de música clássica e marca os tempos com a bengala.
Com polainas pretas ou rosas e sapatilhas escuras, as bailarinas encadeiam movimentos diante de um grande espelho.
Algumas se apoiam brevemente na barra antes de retomar os "demi-pliés", uma das posturas básicas do balé, seguindo as instruções da professora.
"Que tortura", suspira uma septuagenária, rindo diante das exigências da mestra.
Apesar do esforço, a dança é uma terapia para estas mulheres em um país onde a taxa de depressão é de 6,7 por 100.000 habitantes, índice superior à média mundial de 5,7, segundo o psiquiatra Roberto Sunkel.
"Na minha idade, nunca fico entediada. Posso passar uma manhã inteira sentada pensando em uma nova coreografia", confessa Cordero, que dança desde os quatro anos.
- Terapia contra a depressão -
A centenária, que dá suas aulas acompanhada por duas de suas filhas, também bailarinas profissionais, conhece muito bem suas alunas.
"Muitas vezes as vi passar por momentos difíceis em suas vidas e gosto de ter um contato mais afetuoso com elas", afirma.
O Chile envelhece mais rápido que a maioria dos países da região.
Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas, a previsão é que o país registre mais mortes do que nascimentos a partir de 2028, antes que sua população comece a diminuir a partir de 2036.
O isolamento, a queda da renda e a morte de entes queridos, entre outros fatores, tornam a velhice mais difícil no Chile.
Mas o balé é uma segunda chance para estas mulheres. O entusiasmo pelas aulas reflete um vínculo quase familiar.
"Venho aqui há 48 anos e não perco uma única aula", confessa Alejandra Cusacovich, de 74 anos, vestida com uma túnica preta.
"É um respiro para mim, como uma terapia (...) passei por uma depressão muito grave e foi graças à minha professora e às minhas colegas que consegui seguir em frente", acrescenta.
Para a mais jovem do grupo, Pilar Valenzuela, de 55 anos, a aula é crucial para sua saúde mental: "Esquecemos todos os nossos problemas", diz à AFP.
Cordero já pensou em deixar de ensinar, mas rapidamente descarta a ideia. A dança a "preenche por completo", diz.
R.J.Fidalgo--PC