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Senador republicano antiaborto impede nomeações de militares nos EUA
O mandato do comandante do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos termina nesta segunda-feira (10) sem que haja um sucessor nomeado, devido ao veto do senador republicano Tommy Tuberville, contrário ao aborto e que bloqueia todas as indicações a cargos de alta patente.
O congressista se recusa a recuar até que o Pentágono volte atrás em sua política de ajudar mulheres soldados que desejam realizar abortos ao mudarem de estado.
O Senado pode aprovar estas indicações caso a caso em plenário, no entanto, o bloqueio do republicano, como membro da Comissão das Forças Armadas, impede sua ratificação direta.
Tuberville, eleito pelo estado conservador do Alabama, está há meses impedindo que mais de 200 indicações sejam aprovadas, já que considera ilegal a política do Pentágono de apoiar militares que querem abortar.
O secretário de Defesa, Lloyd Austin, em contrapartida, afirma ter base jurídica e acredita que atrasar a entrada em serviço destas militares de alta patente "põe em perigo a segurança nacional".
Ao final desta segunda-feira, o general David Berger será substituído interinamente por seu vice-comandante, o general Eric Smith, que se será forçado a "basicamente cumprir uma dupla função", de acordo com Colin Smith, um especialista em Defesa do grupo de estudos Rand.
- Risco "desnecessário" -
Outros comandantes deixarão seus postos nos próximos meses, como o chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, o general Mark Milley, e o chefe de operações navais, o almirante Mike Gilday.
"Sem estes líderes em seus postos, as forças militares americanas se verão submetidas a um grau de risco desnecessário e sem precedentes", escreveu em maio Lloyd Austin em uma carta à senadora democrata Elizabeth Warren.
Em junho de 2022, a Suprema Corte dos EUA derrubou a garantia constitucional do direito das mulheres americanas ao aborto, deixando cada estado legislar sobre o assunto.
Algumas soldados, destacadas em estados onde o aborto passou a ser ilegal na maioria dos casos, precisam se deslocar a outros locais onde o procedimento é permitido.
Em resposta à decisão, Lloyd Austin emitiu uma diretiva exigindo que o Pentágono estabeleça medidas para facilitar que membros das Forças Armadas possam pedir licenças administrativas para "receber cuidados de saúde reprodutiva não cobertos" e subsídios para ajudá-las a custear os custos da viagem.
Em fevereiro, Tuberville classificou a solicitação como um "projeto radical para facilitar milhares de abortos a cada ano com o dinheiro dos contribuintes", razão pela qual está bloqueando as indicações no Senado.
De acordo com ele, o impedimento "não tem nenhum efeito" no nível operacional das Forças Armadas dos Estados Unidos e alertou que manterá sua posição "até que o Pentágono cumpra a lei ou o Congresso a modifique".
Ferreira--PC