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Sucessor de candidato presidencial morto no Equador suspeita de crime internacional
O jornalista equatoriano Christian Zurita, escolhido para substituir o candidato à Presidência assassinado Fernando Villavicencio, acredita que uma organização criminosa internacional esteja por trás do homicídio de seu amigo e parceiro de investigações, algumas das quais incomodaram políticos e criminosos poderosos.
Zurita, de 53 anos, assumiu o lugar de Villavicencio na campanha eleitoral após o jornalista ter sido assassinado a tiros por um mercenário colombiano em 9 de agosto. O crime, pelo qual outras seis pessoas foram presas, ainda não foi solucionado.
O novo aspirante à Presidência suspeita que a motivação do homicídio pode estar relacionada a algumas de suas propostas, focadas em atacar as rotas comerciais operadas por traficantes de drogas.
"Tenho quase certeza de que ele foi assassinado porque disse que iria militarizar os portos e vamos manter isso como princípio", disse Zurita nesta quinta-feira em um encontro com a mídia internacional.
Para o comunicador, as autoridades do país devem identificar os vínculos entre as facções equatorianas e os mercenários da Colômbia, país que fornece drogas ao Equador pela fronteira comum.
"Existe uma máfia internacional por trás da morte dele. Não podemos continuar as investigações se não contarmos com a participação da Colômbia. Para entender o crime de Villavicencio, precisamos chegar a um acordo e estabelecer novos laços com a Colômbia", maior produtor de cocaína do mundo, afirmou Zurita, acompanhado de guarda-costas particulares e um policial armado com um fuzil.
Antes de sua morte, Villavicencio denunciou que havia sido ameaçado por Fito, líder de "Los Choneros", uma quadrilha ligada a dissidentes da guerrilha colombiana das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
De acordo com um comunicado recente, a polícia equatoriana só recorreu às forças de segurança do país vizinho para obter os antecedentes criminais dos supostos autores do crime.
- Sucessor adequado -
Zurita foi aliado de Villavicencio quando ambos divulgaram casos de corrupção nas redes sociais. Após uma importante investigação, denunciaram que o ex-presidente Rafael Correa (2007-2017) havia firmado apoio financeiro com empresários para sua campanha presidencial em troca de contratos estatais.
Correa, que nega as acusações, foi condenado à revelia a oito anos de prisão por corrupção e vive em exílio na Bélgica.
Ele também indicou que o sucessor de Correa, Lenín Moreno (2017-2021), também estaria envolvido em suposta rede de corrupção em uma hidrelétrica, um caso que ainda não foi julgado.
Outro trabalho investigativo do jornalista ultrapassou fronteiras quando envolveu a ex-senadora colombiana Piedad Córdoba, amiga de Correa, e Alex Saab, empresário associado ao chavismo venezuelano preso nos Estados Unidos.
Pela proximidade com Villavicencio, Zurita se considerava o sucessor ideal para assumir suas bandeiras.
"Não tê-lo feito (substituí-lo) teria sido uma traição à sua luta, uma traição ao seu nome", disse.
"Christian Zurita é o único que pode substituir meu filho Fernando. Sou testemunha de uma amizade incrível, é difícil falar de Christian sem Fernando e vice-versa", disse Gloria Valencia, mãe de Villavicencio, ao jornal El Universo.
No primeiro turno, Zurita enfrentará a correísta Luisa González, o líder indígena Yaku Pérez, o direitista Jan Topic e o ex-vice-presidente Otto Sonnenholzner, principais postulantes ao cargo.
De acordo com uma pesquisa da Cedatos, antes de sua morte, Villavicencio era o segundo nas intenções de voto, com 12,5%. No mesmo levantamento, González liderava com 24%, mas sem o percentual necessário (40%) para evitar o segundo turno.
A.Seabra--PC