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China elevará teto da dívida dos governos locais para estimular a economia
A China anunciou nesta sexta-feira (8) que os legisladores aprovaram um projeto para elevar o teto da dívida dos governos locais em 840 bilhões de dólares (4,78 trilhões de reais), uma medida crucial para estimular a economia diante de uma possível nova guerra comercial com o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump.
O país asiático enfrenta uma recuperação pós-covid complicado, afetado pela desaceleração do consumo e por uma grave crise imobiliária.
As autoridades chinesas acompanharam de perto as eleições presidenciais nos Estados Unidos e a vitória do candidato republicano, ao mesmo tempo que os principais líderes parlamentares do país estavam reunidos em Pequim.
Ao final da reunião nesta sexta-feira, o canal estatal CCTV anunciou que os legisladores aprovaram a "medida de redução da dívida mais potente dos últimos anos".
A decisão aumentará "o limite da dívida dos governos locais em seis trilhões de yuans, que serão utilizados para substituir as dívidas ocultas existentes" e permitirá que "desenvolvam melhor a economia e protejam o sustento da população", informou a CCTV.
A dívida oculta é o endividamento pelo qual um governo é responsável, mas que não é revelado à população ou a outros credores, segundo o Fundo Monetário Internacional.
"O teto da dívida de seis trilhões de yuans será estabelecido ao longo de três anos", entre 2024 e 2026, disse o ministro das Finanças, Lan Fo'an, em uma entrevista coletiva em Pequim.
- "Grande pacote de estímulo" -
A medida permitirá que as autoridades façam mais dívidas para financiar a aquisição de terrenos não explorados com objetivos urbanísticos, com o objetivo de tirar o mercado imobiliário de sua prolongada crise.
Nesta sexta-feira, os legisladores também aprovaram uma nova lei da energia para "promover (...) a neutralidade do carbono", uma meta que a China estabelece para 2060.
Durante a campanha eleitoral, Trump prometeu impor tarifas muito duras sobre os produtos chineses, que ameaçam agravar ainda mais a situação da segunda maior economia do mundo.
Segundo muitos analistas, a China quer atenuar esta possível circunstância com fortes medidas econômicas.
A reunião parlamentar, originalmente programada para o final de outubro, foi provavelmente adiada para permitir que "os líderes políticos reagissem a uma possível vitória de Trump", disse Lynn Song, economista do banco ING.
"As possibilidades de um grande pacote de estímulo aumentam consideravelmente com a vitória do candidato republicano", acrescentou.
Nas últimas semanas, as autoridades chinesas anunciaram uma série de medidas para estimular a atividade, incluindo cortes nas taxas de juros e a flexibilização das restrições para a compra de casas. Mas até agora, muitos investidores criticavam a falta de um grande plano com números.
O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, afirmou esta semana que está "plenamente confiante" na capacidade do país de alcançar a meta de crescimento econômico de "cerca de 5%" em 2024.
Recentemente, alguns sinais positivos foram registrados. A atividade das fábricas chinesas aumentou no mês passado, pela primeira vez desde abril, e as exportações aumentaram em outubro no ritmo mais acelerado em mais de dois anos, segundo dados publicados na quinta-feira.
V.F.Barreira--PC