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Trump ameaça destruir principal terminal petrolífero do Irã apesar da alta dos preços
O presidente americano Donald Trump ameaçou nesta segunda-feira (30) "destruir completamente" a ilha de Kharg, onde está o principal terminal petrolífero do Irã, caso não se alcance "rapidamente" um acordo para encerrar a guerra e reabrir o estratégico Estreito de Ormuz.
O conflito no Oriente Médio, que começou em 28 de fevereiro com o ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, se estendeu por toda a região e elevou os preços da energia.
O conflito não dá sinais de trégua: os bombardeios de Israel contra alvos no Irã continuaram no fim de semana e nesta segunda-feira, enquanto segue a ofensiva israelense no Líbano contra o movimento pró-iraniano Hezbollah.
O preço do petróleo aumentou mais de 50% desde o início da guerra como consequência do bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz, por onde costumava transitar um quinto das exportações mundiais de hidrocarbonetos. Nesta segunda-feira, o barril de Brent chegou a superar 115 dólares durante a sessão.
O presidente americano alterna anúncios de negociações com novas ameaças.
Na mesma mensagem em sua rede Truth Social em que afirmava que "destruiria completamente" a ilha de Kharg - que concentra 90% das exportações de petróleo do Irã -, também assegurou que os Estados Unidos estão em "conversas sérias" com um novo governo iraniano, que qualificou como "mais razoável" que o anterior, sem dar detalhes.
Trump também ameaçou acabar com usinas geradoras de eletricidade, poços de petróleo e plantas de dessalinização.
A destruição de infraestrutura civil, como usinas de energia e plantas de dessalinização, pode ser ilegal segundo o direito internacional humanitário e pode constituir um crime de guerra, segundo especialistas.
O comando militar americano mobilizou na semana passada na região um navio de assalto anfíbio, à frente de um grupo naval que inclui "cerca de 3.500" marinheiros e soldados do Corpo de Fuzileiros Navais.
Especialistas do mercado alertam que uma operação terrestre dos Estados Unidos, ou uma intensificação dos ataques do Irã contra países do Golfo, pode elevar os preços da energia a níveis sem precedentes desde o boom das commodities de 2008, e que o barril de Brent poderia subir para 150 dólares.
No Irã, os ataques do fim de semana contra a rede elétrica provocaram apagões em vários pontos da capital, mas nesta segunda-feira o Ministério da Energia afirmou que a rede está "estável" apesar dos bombardeios.
- "Fraturas" internas no Irã -
O presidente do Egito, Abdel Fattah al Sisi, pediu ajuda ao presidente americano Donald Trump para "encerrar a guerra".
"Dirijo-me ao senhor, presidente Trump, para dizer: 'Ninguém além do senhor pode encerrar a guerra no Golfo (...) por favor, ajude-nos a parar a guerra, o senhor pode", declarou em discurso durante uma conferência sobre energia.
O Paquistão, que atua como mediador, recebeu no domingo os chanceleres da Arábia Saudita, Turquia e Egito para conversas sobre o conflito.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, expressou nesta segunda-feira sua esperança de poder trabalhar com setores do governo do Irã e afirmou que Washington recebeu, em privado, mensagens positivas.
Segundo ele, existem "fraturas" internas na República Islâmica e os Estados Unidos confiam que assumam o comando figuras com "poder para cumprir".
Em outros fronts, o conflito continua e os ataques israelenses em território libanês deixaram mais de 1.200 mortos desde o início da guerra ali, em 2 de março, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou ao Exército "expandir" a zona de segurança nesse país vizinho para "neutralizar" a ameaça do Hezbollah.
- Uma noite de sono tranquila -
Os bombardeios parecem ter se intensificado neste fim de semana sobre a capital iraniana. A ONG Hrana contabilizou ao menos 360 ataques em 24 horas em 18 províncias do país.
Cerca de 70% desses ataques, principalmente em áreas residenciais de Teerã, causaram 37 mortos ou feridos, segundo a organização.
Para os moradores de Teerã contatados pela AFP a partir de Paris, nada mais é normal.
"Sair à noite ou simplesmente poder ir a outro bairro da cidade, fazer minhas compras em outro lugar que não seja a pequena mercearia ou a padaria da minha rua, poder ler em um café, ir ao parque (...) Sinto falta dessas coisas muito, muito simples", relata Elnaz, pintora de 32 anos.
"Sinto falta de uma noite de sono tranquila", afirma.
A ONG Acled, que compila dados sobre conflitos, registrou durante o primeiro mês de guerra cerca de 2.300 bombardeios americanos e israelenses, e 1.160 ataques iranianos em retaliação.
burx-emd/jvb/pc/an/lm-jc/mab/lm/ic
R.J.Fidalgo--PC