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Centenas de mulheres protestam na Nigéria por mais cadeiras no Parlamento
Centenas de mulheres se manifestaram nesta segunda-feira (22) em Abuja, capital da Nigéria, para exigir a criação de cadeiras reservadas para mulheres no Senado e na Câmara de Representantes.
Vários países africanos, do Senegal a Ruanda, aumentaram o número de assentos parlamentares reservados para mulheres por meio do uso de cotas.
A Nigéria, o país mais populoso da África e que não implementa esse sistema, tem apenas quatro senadoras de um total de 109 cadeiras, enquanto na Câmara de Representantes apenas 16 dos 360 membros são mulheres.
Grupos de mulheres de todo o país — e alguns homens — se reuniram nesta segunda-feira em Abuja e percorreram a cidade em um comboio de ônibus, vans e caminhões, de acordo com jornalistas da AFP presentes no local.
As manifestantes pedem uma emenda constitucional chamada "Special Seats Bill" (projeto de lei de cadeiras especiais, em tradução livre), que adicionaria um assento reservado para mulheres na Câmara e no Senado em cada um dos 36 estados da Nigéria, assim como no território da capital federal.
"Queremos que o Legislativo trabalhe para as mulheres", declarou Dorothy Njemanze, uma das organizadoras, que afirmou ter contado mais de 1.000 manifestantes.
A falta de representação feminina foi tema de um acalorado debate na Nigéria no início deste ano, quando a senadora Natasha Akpoti-Uduaghan foi suspensa após denunciar assédio sexual por parte do presidente do Senado.
Este último alegou que Akpoti-Uduaghan foi suspensa por um incidente separado envolvendo uma disputa sobre a distribuição dos assentos. A suspensão gerou fortes críticas no país sobre o sexismo profundamente enraizado na política.
F.Santana--PC