Família relata busca angustiante por cinco presos na Venezuela
Família relata busca angustiante por cinco presos na Venezuela / foto: Ronaldo SCHEMIDT - AFP

Família relata busca angustiante por cinco presos na Venezuela

Lorealbert Gutiérrez estava grávida de sete meses quando agentes de segurança venezuelanos a detiveram junto com seis integrantes de sua família no leste da Venezuela.

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Ela acredita que os agentes buscavam seu irmão por ele ter conhecidos sob suspeita de participar de um suposto atentado no ano passado em Caracas. A mãe, o irmão, a irmã adolescente, o companheiro, a tia e a prima foram detidos. Ela foi libertada horas depois e a irmã, três dias depois.

Desde então, a família não sabe o paradeiro dos parentes.

O governo informou na época que deteve 13 supostos envolvidos em atos de violência e divulgou fotos da mãe, do irmão e de vários familiares presos.

Os parentes estão desaparecidos desde agosto de 2025, quando foram detidos em Cumaná, uma cidade às margens do mar do Caribe a cerca de 400 quilômetros de Caracas.

Primeiro, prenderam uma de suas tias. Quando a prima foi perguntar por ela, também ficou detida. Em seguida, levaram a mãe e ligaram para Lorealbert exigindo que entregasse o irmão, sob ameaça de matá-la.

Quando o irmão se entregou, os agentes detiveram a irmã de 16 anos. Depois foi a vez de Lorealbert, grávida do segundo bebê, usada para pressionar o companheiro a se entregar.

Neste sábado (10), ela chegou a uma prisão nos arredores de Caracas com a esperança de encontrá-los, depois que o governo venezuelano anunciou a libertação de um "número importante" de presos, em meio a acordos alcançados com os Estados Unidos após a captura do agora deposto presidente Nicolás Maduro.

"Minha mãe é tudo para mim, meu companheiro também", disse a jovem mãe de 19 anos.

"Minha irmã saiu de lá profundamente atormentada por tudo o que via que faziam com meu irmão", contou Lorealbert, chamada de 'Lore' por pessoas próximas.

"Ele sofre de asma, e colocaram um papel branco em todo o rosto dele. E ele começava a gritar (...) e eles (os agentes, ndr) não davam atenção", lembra.

Lorealbert relata que, durante três dias, a irmã presenciou as torturas contra o irmão, sofreu assédio dos captores e ouviu à distância o choro da mãe.

Quando chegou a vez dela, agentes a trancaram em uma cela com a mãe e a prima.

- "Um abraço" -

ONGs estimam que mais de 800 pessoas permanecem presas na Venezuela por motivos políticos.

Protestos contra a reeleição de Maduro em julho de 2024 deixaram 28 mortos e 2.400 detidos, que ele próprio qualificou de "terroristas". Cerca de 2.000 foram libertados meses depois, em sua maioria com medidas de apresentação periódica e proibição de falar à imprensa.

Desde o anúncio das libertações de presos políticos na quinta-feira, menos de vinte foram soltos, segundo números extraoficiais de ONGs.

A história de Lorealbert Gutiérrez comoveu dezenas de familiares reunidos à espera de notícias de seus parentes na prisão Rodeo I, localizada a cerca de 37 quilômetros de Caracas.

Desde que ela e a irmã foram libertadas, sobrevivem com a ajuda das tias. A irmã não pode trabalhar por ser menor de idade, e ela, por ter dois bebês.

As autoridades não confirmam o paradeiro dos familiares. Uma tia conseguiu localizá-los em Rodeo I, uma prisão situada em um subúrbio de Caracas, onde há cerca de 500 detidos.

Ela passou a noite sob uma árvore, sofrendo de congestão mamária por não poder amamentar o bebê de dois meses. Voltará para vê-lo neste domingo.

"Se dependesse de mim, eu ficaria até ver minha mãe", disse. "O que mais desejo é dar um abraço na minha mãe".

O.Gaspar--PC