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Governo Trump suspende dois agentes de imigração envolvidos em ataque a tiros em Minneapolis
O governo de Donald Trump afirmou nesta quarta-feira (28) que dois agentes de imigração envolvidos no ataque a tiros fatal contra um civil em Minneapolis foram suspensos, depois que o presidente atacou o prefeito da cidade, apesar de ter prometido "desescalar" a situação.
Minneapolis, a principal cidade do estado de Minnesota (norte), segue abalada pela morte, no sábado, de Alex Pretti, de 37 anos, morto a tiros por agentes da Patrulha de Fronteira (CBP), após a morte de Renee Good, uma americana da mesma idade, em 7 de janeiro, baleada pela polícia de imigração (ICE).
A Patrulha de Fronteira indicou que dois agentes implicados na morte de Pretti estão suspensos desde sábado.
Trata-se de "um protocolo padrão", afirmou um porta-voz à AFP. Segundo o jornal The New York Times, são os dois policiais que abriram fogo, dez vezes, contra a vítima enquanto vários agentes tentavam imobilizá-la no chão.
Trump disse na terça-feira que queria "desescalar" a situação em Minneapolis, ponto focal das tensões provocadas por sua dura ofensiva contra a imigração.
Mas, nesta quarta-feira, o republicano de 79 anos atacou o prefeito de Minneapolis, o democrata Jacob Frey, pela recusa deste em cooperar com as autoridades federais para erradicar imigrantes supostamente ilegais.
"Isso constitui uma violação muito grave da lei", disse. Frey "está BRINCANDO COM FOGO", escreveu Trump em sua plataforma, Truth Social.
Frey dobrou a aposta pouco depois. "O trabalho da nossa polícia é garantir a segurança dos cidadãos, não fazer cumprir as leis federais de imigração", afirmou no X.
A inquietação com a situação em Minneapolis chegou a aliados de Washington na Europa.
"O que eu vi é, obviamente, preocupante", disse o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, dois dias depois de o chanceler alemão, Friedrich Merz, considerar "alarmante" o "nível de violência" nos Estados Unidos.
O presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, Paul Coakley, denunciou, por sua vez, um "clima atual de medo e polarização, que prospera quando a dignidade humana é desprezada".
— Agressor identificado —
A operação do governo Trump em Minnesota está ligada a uma investigação sobre suposta corrupção por parte de imigrantes somalis nesse estado.
O presidente costuma lançar diatribes contra a congressista democrata nascida na Somália Ilhan Omar, a quem insulta em seus discursos e diz que deveria ser enviada de volta à Somália.
Durante um evento público na noite de terça-feira, um indivíduo avançou sobre Omar brandindo uma seringa cheia de um líquido nauseabundo não identificado, antes de ser contido.
O FBI investiga o caso. O suspeito, Anthony Kazmierczak, de 55 anos, foi preso sob suspeita de agressão. A CNN informou que o líquido provavelmente era vinagre de maçã, segundo uma fonte policial.
Questionado pela ABC News sobre esse ataque, Trump sugeriu que a legisladora poderia ter armado tudo: "Provavelmente se borrifou sozinha, conhecendo-a".
Omar saiu ilesa e continuou seu discurso. "Devemos abolir de uma vez por todas" a polícia migratória, insistiu, e exigiu a renúncia da secretária de Segurança Nacional de Trump, Kristi Noem, que supervisiona o ICE e a CBP.
— "Vidas transtornadas" —
Os comentários do presidente americano nesta quarta-feira contrastam com a vontade declarada de seu governo de acalmar os ânimos.
Depois de considerar Pretti um "assassino em potencial", o conselheiro presidencial Stephen Miller disse na terça-feira que as autoridades examinavam as razões pelas quais a equipe da CBP poderia não ter seguido o protocolo.
Vídeos analisados pela AFP e por outros meios de comunicação desacreditam a tese segundo a qual o enfermeiro, que portava legalmente uma arma e nunca a sacou, ameaçava as forças da ordem.
Agora é Tom Homan, enviado de Trump, quem conduz a ofensiva anti-imigração, após a saída do chefe da CBP, Gregory Bovino.
Em Minneapolis, os moradores se preparam diante da perspectiva de novas operações policiais.
"Isso transtornou a nossa vida", afirmou à AFP Dylan Alverson, proprietário de um café que decidiu oferecer uma refeição gratuita a quem precisar.
"Tenho a sensação de que os crimes cometidos contra os habitantes de Minneapolis atingiram um nível tal que nunca mais voltaremos a ser os mesmos", disse.
J.Oliveira--PC