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Trump prevê 'reduzir' operações militares contra o Irã
Donald Trump afirmou nesta sexta-feira (20) que considera "reduzir gradualmente" as operações militares contra o Irã, logo após ter descartado um cessar-fogo.
Esta é a primeira vez que o presidente dos Estados Unidos admite, em uma declaração pública, reduzir as tensões após três semanas de guerra no Oriente Médio que afetaram a economia mundial.
"Estamos prestes a alcançar nossos objetivos enquanto consideramos reduzir gradualmente nossos importantes esforços militares no Oriente Médio contra o regime terrorista iraniano", escreveu Trump na noite desta sexta-feira em sua rede Truth Social.
Uma declaração que coincide com notícias publicadas por vários meios de comunicação americanos sobre um próximo envio de forças militares adicionais para a região.
E, algumas horas antes, o presidente americano havia descartado qualquer cessar-fogo.
"Não quero um cessar-fogo. Você não faz um cessar-fogo quando está literalmente aniquilando o adversário", disse Trump a jornalistas na Casa Branca.
Ele também reiterou que o Estreito de Ormuz deveria ser "vigiado e controlado, se necessário, pelos outros países que o utilizam — o que não é o caso dos Estados Unidos!".
- "Golpe fulminante" -
Mais cedo, o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmou que o Irã desferiu um "golpe fulminante" e "derrotou" o inimigo na guerra, em uma mensagem pelo Ano Novo persa, marcado pelos ataques de Israel, que matou outros dois dirigentes da república islâmica.
O conflito bélico iniciado há três semanas não mostra nenhum sinal de arrefecimento e pesa sobre a atividade mundial, suscitando temores de uma crise econômica de grande magnitude.
"Neste momento, graças à unidade especial que se formou, nossos compatriotas, apesar de todas as diferenças de origem religiosa, intelectual, cultural e política, o inimigo foi derrotado", declarou o aiatolá.
O sucessor de Ali Khamenei, que morreu em 28 de fevereiro, no primeiro dia dos ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, também está na mira das forças israelenses. Desde então, não foi visto em público.
O Exército israelense continua com sua ofensiva e indicou que matou, em um bombardeio em Teerã, o chefe da unidade de inteligência da milícia paramilitar Basij, Esmail Ahmadi.
O anúncio ocorreu horas depois da morte do porta-voz da Guarda Revolucionária, Ali Mohamad Naini, que "caiu como mártir", segundo o exército de elite iraniano.
Por sua vez, o Irã atacou Jerusalém. Um projétil caiu no bairro judeu da Cidade Velha, perto de sua muralha e dos locais sagrados. Em imagens da AFP, é possível ver uma estrada destruída e coberta de escombros, assim como uma brecha em um muro.
- "Covardes" -
O temor de que o conflito provoque uma importante crise econômica aumenta, sobretudo porque o Irã mantém de fato bloqueado o Estreito de Ormuz.
Uma situação que levou Trump a criticar duramente os países da Otan, aos quais chamou de "covardes" em sua plataforma Truth Social. Segundo ele, esses aliados "não querem ajudar a abrir" essa rota estratégica.
Na quinta-feira, França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Países Baixos e Japão declararam-se "dispostos a contribuir", quando chegar o momento.
Ainda assim, França, Itália e Alemanha advertiram que sua eventual participação só é concebível após um cessar-fogo.
A Casa Branca assegurou nesta sexta-feira que o Exército americano pode "neutralizar" a ilha de Kharg, um ponto petrolífero crucial para o Irã, "a qualquer momento".
Após um breve alívio nos preços da energia, os do petróleo voltaram a subir ligeiramente e as bolsas mundiais continuavam a demonstrar nervosismo.
- "Nos foi confiscado" -
Em Jerusalém Oriental, os acessos à mesquita de Al Aqsa, o terceiro local mais sagrado do islã, permaneceram fechados.
"Nos foi confiscado. Está sendo um Ramadã triste e doloroso", denunciou Wajdi Mohammed Shueiki, de cerca de 60 anos.
Em represália à ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel, o Irã mira diariamente interesses americanos nos países do Golfo, assim como infraestruturas energéticas. Nesta sexta, provocou um incêndio em uma grande refinaria do Kuwait.
Os Emirados Árabes Unidos disseram que seu território foi alvo de drones e mísseis; no Bahrein houve um incêndio em um depósito; e na Arábia Saudita, mais de uma dezena de drones foram "interceptados e destruídos" em apenas duas horas, segundo as autoridades.
No entanto, Mojtaba Khamenei afirmou que seu país não é responsável por ataques recentes contra Omã e Turquia. Ele os atribuiu a Israel.
Depois que, na quinta-feira, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que "o Irã está sendo dizimado" e que já não tem nem "a capacidade de enriquecer urânio" nem de "produzir mísseis balísticos", o governo iraniano respondeu que segue "fabricando mísseis".
burx-dla/anb/ahg/dbh/fp/aa/am
N.Esteves--PC