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EUA afirma ter destruído instalação iraniana no Estreito de Ormuz
O exército americano afirmou, neste sábado (21), ter destruído um bunker iraniano equipado com armas que ameaçavam os envios de petróleo e gás através do estreito de Ormuz, quando os iranianos celebravam o fim do Ramadã sem a presença do líder supremo, Mojtaba Khamenei.
O Irã bloqueia o acesso a Ormuz, uma rota pela qual costumava passar cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) consumidos em todo o mundo, em resposta aos ataques realizados pelos Estados Unids e Israel em 28 de fevereiro.
Os confrontos fizeram disparar os preços do petróleo a tal ponto que o barril de Brent do Mar do Norte subiu mais de 50% no último mês e é negociado em torno de US$ 105 (cerca de R$ 555).
O chefe do Comando Militar dos Estados Unidos (Centcom), o almirante Brad Cooper, assegurou neste sábado que aviões de guerra "destruíram" uma instalação subterrânea na costa do Irã que armazenava mísseis de cruzeiro antinavio, lançadores de mísseis móveis e outros equipamentos.
"Não apenas destruímos a instalação, como também destruímos locais de apoio de inteligência e repetidores de radar de mísseis que eram utilizados para monitorar os movimentos dos navios", disse Cooper.
Segundo ele, isso reduziu a capacidade do Irã de "ameaçar a liberdade de navegação no estreito de Ormuz e seus arredores".
Cerca de vinte países, incluindo Emirados Árabes, Reino Unido, França e Japão se declararam "dispostos a contribuir para os esforços" necessários para a reabertura do estreito.
- Quarta semana -
Enquanto a guerra entre em sua quarta semana, a intensidade do conflito não diminui.
Na manhã deste sábado, a organização iraniana de energia atômica acusou os Estados Unidos e Israel de terem atacado a instalação subterrânea nuclear de Natanz, no centro do país.
A organização afirmou que não tem conhecimento de "vazamento de materiais radioativos" desse local, equipado com centrífugas subterrâneas capazes de enriquecer urânio para o polêmico programa nuclear iraniano.
O exército israelense respondeu que "não está a par" do suposto ataque. A emissora pública Kan atribui sua autoria aos Estados Unidos.
Por sua vez, o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, fez um apelo pela "moderação militar para evitar qualquer risco de acidente nuclear".
A Rússia, aliada do Irã, declarou que os ataques são "irresponsáveis" e representam "riscos reais de catástrofe em toda região do Oriente Médio".
As potências ocidentais suspeitam que o Irã tenta desenvolver uma bomba atômica, apesar das suas contínuas negativas. Esse é um dos motivos alegados para os ataques realizados em 28 de fevereiro.
- "Não vamos parar" -
Israel advertiu que a intensidade dos ataques "aumentará consideravelmente" nos próximos dias.
"Não vamos parar até que todos os objetivos da guerra tenham sido alcançados", disse Israel Katz, ministro de Defesa israelense.
Na sexta-feira, o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos estão "prestes a alcançar" seus objetivos e preveem "reduzir gradualmente" os "esforços militares" no país, mas descartou um cessar-fogo.
Segundo alguns analistas, o Irã ainda tem capacidade de retaliar.
"Poderiam continuar por mais quatro a seis semanas", prevê Neil Quilliam, especialista em geopolítica do centro Chatham House.
Na sexta-feira, Teerã realizou um ataque "fracassado" contra a base britânico-americana Diego Garcia, situada a 4 mil quilômetros de seu território, segundo uma fonte oficial britânica.
Os mísseis do Irã têm, oficialmente, um alcance limitado a 2 mil quilômetros.
- Fim do Ramadã sem Khamenei -
Desde o início da guerra, várias figuras do regime iraniano morreram, incluindo o líder supremo Ali Khamenei.
Seu filho, Mojtaba Khamenei, o substituiu, mas não foi visto em público desde sua nomeação.
Não esteve presente neste sábado na oração do Eid al-Fitr, a festa que marca o fim do Ramadã, em Teerã, tradicionalmente liderada pelo líder supremo da república islâmica.
Uma multidão de fiéis se reuniu desde o amanhecer na Grande Mesquita do Imã Khomeini. Em outras cidades, via-se cenas semelhantes.
A guerra se tornou um conflito regional ao se estender às monarquias vizinhas do Golfo, às quais o Irã acusa de permitir que as forças americanas realizem ataques a partir de seus territórios.
O exército iraniano advertiu, neste sábado, aos Emirados Árabes Unidos que responderá com "fortes ataques" a qualquer ofensiva contra as ilhas do Golfo de Abu Musa e Tumb Mayor, controladas por Teerã, mas cuja soberania é reivindicada por Abu Dhabi.
No Iraque, os serviços de inteligênica anunciaram a morte de um oficial em um ataque com drone e, na capital de Bahrein, foram ouvidas várias explosões, verificou um jornalista da AFP.
burs-dc/amj/al-erl/jvb/rm/ic
A.S.Diogo--PC