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Guerra no Irã ameaça levar mais de 30 milhões de pessoas à pobreza
A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que fez disparar os preços da energia e dos fertilizantes, poderia colocar mais de 30 milhões de pessoas na pobreza, declarou nesta quarta-feira (29) o chefe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
"Fizemos um estudo depois de seis semanas de guerra e estimamos que, mesmo se o conflito terminar neste momento, 32 milhões de pessoas seriam empurradas à precariedade em 160 países", afirmou Alexander De Croo à AFP em Paris.
A guerra provocou o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde normalmente transita 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.
A escassez de suprimentos e os altos preços levaram países da África e da Ásia a impor uma combinação de medidas, como o racionamento de combustível e a redução da semana de trabalho para diminuir o consumo, enquanto outros reduziram os impostos sobre combustíveis para amortecer o impacto sobre os consumidores.
"É desenvolvimento ao contrário. Foram necessárias décadas para construir sociedades estáveis, desenvolver economias locais, e bastaram algumas semanas de guerra para destruir isso", acrescentou De Croo.
Segundo o PNUD, a guerra terá um impacto profundo em países da África Subsaariana ou asiáticos como Bangladesh e Camboja. As nações insulares em desenvolvimento também serão fortemente afetadas.
Os altos "custos da energia, a falta de fertilizantes, terão um impacto enorme nos próximos meses" na população destes países, disse De Croo.
O dirigente alertou para a "instabilidade política e uma queda nas remessas do exterior, porque muitas pessoas que trabalham nos países do Golfo enviam dinheiro para casa".
Para evitar que a pobreza se aprofunde, o PNUD estima que são necessários cerca de 6 bilhões de dólares (quase R$ 30 bilhões, na cotação atual) em subsídios para apoiar os mais vulneráveis. Segundo De Croo, isso já está sendo debatido no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial.
"Pode-se dizer que 6 bilhões de dólares é muito; a guerra custou 9 bilhões de dólares por semana", declarou.
A ajuda ao desenvolvimento encontra-se em seu nível mais baixo da história, depois de ter caído mais de 23% no ano passado, sobretudo devido aos cortes dos principais doadores, como os Estados Unidos.
F.Cardoso--PC