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Principal sindicato da Bolívia declara greve por tempo indeterminado contra governo
O principal sindicato de trabalhadores da Bolívia declarou, nesta sexta-feira (1º), uma "greve geral por tempo indeterminado", após considerar que o governo do centro-direitista Rodrigo Paz não atendeu às suas reivindicações em meio a uma profunda crise econômica.
A Central Trabalhista Boliviana (COB) exige um aumento de 20% do salário mínimo, a revogação de uma reforma tributária para pequenos comerciantes, aumentos nas pensões, a redução dos salários de altos funcionários e outras demandas.
Com faixas e capacetes, sob um sol intenso a 4.000 metros de altitude, diversos setores convocados pela COB se reuniram nesta sexta-feira na cidade de El Alto em uma assembleia ao ar livre.
"A partir de hoje, declara-se a greve geral por tempo indeterminado, com mobilização, até que o governo compreenda as demandas do povo. E se não cumprir, que vá para casa, caralho!", disse o secretário-geral da COB, Mario Argollo.
"A luta é dura, mas venceremos!", entoavam mais de mil trabalhadores em frente ao palanque.
A COB também rejeitou o eventual fechamento de empresas públicas e pediu para limitar a exportação de alimentos para garantir o abastecimento interno, estabilizar a taxa de câmbio e revogar uma lei que altera o regime de pequenas propriedades agrícolas.
O presidente Paz criticou duramente as lideranças trabalhistas pelo pedido de aumento salarial, pois seu governo elevou o salário mínimo em 20% em janeiro. "Se quer aumentar salário, primeiro gere empregos", afirmou o governante em um ato em Cochabamba.
Ao longo da semana, outros setores também se manifestaram, como transportadores, professores, mineiros, médicos e indígenas, um contexto que coloca o governo de Paz contra a parede.
Paz, de 58 anos, assumiu o poder em novembro após 20 anos de governos socialistas de Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025), que considera responsáveis por lhe deixarem um "país quebrado".
Uma longa política de subsídios aos combustíveis, que ele eliminou em dezembro, deixou o país andino sem divisas, o que provocou sua pior crise em quatro décadas. A inflação acumulada em 12 meses foi de 15% em março, após atingir um pico de quase 25% em julho.
L.E.Campos--PC