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Israel e Líbano vão dialogar nos EUA, que espera resposta do Irã à sua proposta
Líbano e Israel terão uma nova rodada de conversas em Washington na próxima semana, anunciou um funcionário americano nesta quinta-feira (7), em meio aos ataques contínuos das forças israelenses contra o movimento Hezbollah pró-iraniano, apesar do cessar-fogo.
Os Estados Unidos, por sua vez, seguem à espera da resposta de Teerã à sua última proposta para alcançar um acordo que ponha fim à guerra no Oriente Médio e permita reabrir o Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte de hidrocarbonetos.
Um funcionário do Departamento de Estado americano, que pediu o anonimato, informou que a nova rodada de negociações entre Israel e Líbano ocorrerá em 14 e 15 de maio.
Será o terceiro encontro deste tipo nos últimos meses entre os dois países, que seguem tecnicamente em estado de guerra e não têm relações diplomáticas.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou, na terça-feira, que um acordo de paz entre as duas partes era "perfeitamente factível", e insistiu que o Hezbollah era o entrave, e não qualquer outra questão entre os dois governos.
O Líbano foi arrastado para o conflito no Oriente Médio quando o Hezbollah, movimento apoiado por Teerã, lançou foguetes contra Israel em represália pela morte do guia supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, em bombardeios israelenses-americanos.
Um cessar-fogo entre Israel e Líbano, que inclui o Hezbollah, foi prorrogado depois da última rodada de diálogos em Washington, mas isto não impediu que Israel continuasse com sua campanha de bombardeios contra o movimento islamista, que reivindicou, por sua vez, a autoria de ataques contra as forças israelenses que ocupam algumas partes do sul do Líbano.
- Navios bloqueados em Ormuz -
A guerra no Oriente Médio, provocada pelo ataque de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, em 28 de fevereiro, provocou represálias de Teerã em vários países da região e o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma rota comercial estratégica por onde antes da guerra passava um quinto do petróleo e do gás liquefeito consumidos em nível mundial.
Cerca de 1.500 navios e suas tripulações, com aproximadamente 20.000 membros no total, permanecem "bloqueados" no Golfo devido ao bloqueio, informou, no Panamá, o secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Domínguez.
Trump lançou, na última segunda-feira, uma operação naval para escoltar navios comerciais bloqueados e forçar a abertura do estreito, mas a interrompeu horas depois, alegando avanços nas negociações com o Irã.
"Mantivemos conversas muito positivas nas últimas 24 horas, e é muito possível que cheguemos a um acordo", declarou Trump na quarta-feira. Mas, como fez outras vezes, ameaçou retomar os bombardeios contra o Irã, caso este se negue a aceitar suas condições.
Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, a proposta americana está "em estudo" e Teerã informará "seus pontos de vista" ao Paquistão.
Mas no Irã, muitos são céticos sobre os diálogos.
"Nenhum lado nestas negociações é realmente capaz de alcançar um acordo", declarou a jornalistas da AFP em Paris Shervin, um fotógrafo de 42 anos.
"Este é outro dos jogos de Trump; se não, por que estão enviando tantos navios de guerra e forças militares para o Irã?", questionou.
- Petróleo recua -
Contactada pela AFP, uma fonte saudita próxima do governo desmentiu esta informação, e assegurou que Riade não recebeu nenhum pedido formal neste sentido.
Por outro lado, o site americano Axios, que citou dois funcionários, assegura que Teerã e Washington estão perto de acordar um memorando de entendimento para pôr fim à guerra e estabelecer um marco de negociação sobre o programa nuclear iraniano.
Trump assegura que a classe dirigente do Irã está dividida, depois que várias lideranças morreram nos bombardeios americanos-israelenses.
Mas o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou, nesta quinta-feira, que se reuniu com o líder supremo Mojtaba Khamenei, que não é visto em público desde que sucedeu ao seu falecido pai, no começo de março.
"O que mais me marcou deste encontro foi a visão e a abordagem humilde e sincera do líder supremo da Revolução Islâmica", declarou Pezeshkian em um vídeo divulgado pela TV estatal.
Diante da perspectiva de que um acordo seja alcançado, os preços do petróleo voltaram a cair nesta quinta-feira, embora menos que nos dois dias anteriores, quando baixaram cerca de 10%.
Tanto o barril de petróleo Brent do Mar do Norte, quanto o West Texas Intermediate se situavam abaixo da marca simbólica de 100 dólares.
Estes valores se distanciam dos máximos alcançados no calor do conflito, em torno dos 126 dólares, mas muito acima dos cerca de 70 dólares antes da guerra.
burs/dc/pc/avl/jvb/an/mvv/am
L.Carrico--PC