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OMS alerta sobre popularidade das bolsas de nicotina, ou 'snus'
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou, nesta sexta-feira (15), sobre a rápida popularização mundial das bolsas de nicotina, também chamadas de "snus", e denunciou as táticas comerciais agressivas da indústria do tabaco para atrair os jovens.
O "snus" é colocado entre o lábio e a gengiva para liberar nicotina pela mucosa bucal. Esses produtos estão remodelando toda a indústria do tabaco e de seus derivados, indicou a OMS em um comunicado.
"Os governos estão vendo uma comercialização rápida desses produtos, sobretudo entre adolescentes e jovens, alvos de uma campanha comercial agressiva e enganosa", declarou Etienne Krug, chefe do Departamento de Determinantes da Saúde, Promoção e Prevenção da OMS.
Os produtos que contêm nicotina e aromas doces "são concebidos para causar dependência", advertiu Krug.
Essas bolsas de nicotina normalmente são apresentadas como produtos "modernos", "discretos" e "livres de tabaco".
Elas se espalham tão rapidamente que os países não conseguem atualizar a tempo as normas para regulamentá-las, alertou a organização de saúde em seu primeiro comunicado sobre esses produtos.
- US$ 7 bilhões -
Mais de 23 bilhões de bolsas de nicotina foram vendidas em 2024, 50% a mais que no ano anterior.
E o mercado mundial do "snus", também conhecido como "pouches", chegou, em 2025, a cerca de 7 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 38,5 bilhões, em valores da época).
As vendas são mais altas na América do Norte, onde há forte crescimento. Segundo o relatório da OMS, uma marca popular de bolsas de nicotina que em 2017 era distribuída em apenas cerca de 9.000 pontos de venda nos Estados Unidos estava disponível em 150.000 lojas em 2024.
Os sachês também fazem grande sucesso em países europeus como Alemanha, Polônia e Suécia, e a expectativa é que cresçam rapidamente em outros países, como o Paquistão, segundo a OMS.
"Não se trata apenas de uma tendência de mercado, é um desafio de saúde pública que evolui rapidamente", ressalta Vinayak Prasad, responsável pela campanha de combate ao tabaco na OMS.
- Aromas doces -
As táticas da indústria para atrair os jovens incluem embalagens elegantes e sabores como chiclete e jujuba.
A indústria também recorreu a "influencers" e a uma intensa promoção nas redes sociais, assim como ao patrocínio de shows e eventos esportivos como a Fórmula 1.
Prasad denunciou anúncios que insistem no consumo "discreto" do "snus", o que permite escapar da vigilância dos pais ou dos professores, com slogans como "Esqueça as regras" ou "A qualquer hora, em qualquer lugar".
Ele criticou duramente a publicidade enganosa das empresas, que apresentam os "pouches" como menos perigosos que os cigarros tradicionais e até como uma ferramenta para ajudar a parar de fumar.
"As bolsas de nicotina não são produtos livres de risco e não deveriam ser comercializadas de modo a criar uma nova geração dependente", disse Prasad.
Jorge Alday, diretor da STOP, um organismo mundial de vigilância da indústria do tabaco, concorda e descreveu as bolsas de nicotina como "pequenas sementes de uma epidemia que as fabricantes de tabaco estão plantando por toda parte".
Em um comunicado enviado à AFP, ele advertiu que "a publicidade das bolsas de nicotina hoje se parece muito com o que víamos há 10 anos, antes da explosão da epidemia de vaporizadores entre os jovens".
Em seu relatório, a OMS insta os governos a reforçarem suas normas para enfrentar esse problema, lembrando que cerca de 160 países não têm uma legislação específica para regular a venda e o consumo de bolsas de nicotina, e que apenas 16 proíbem sua venda.
O relatório pediu, entre outras medidas, a proibição ou fortes restrições aos sabores das bolsas de nicotina, assim como o veto à publicidade, à promoção e ao patrocínio desses produtos.
Também instou a adoção de controles rígidos de verificação de idade e de venda, advertências sanitárias claras e embalagens genéricas, assim como impostos elevados para reduzir a acessibilidade econômica dos produtos.
V.F.Barreira--PC