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Médicos britânicos comparam perigos das redes sociais aos do tabagismo
O uso das redes sociais representa uma ameaça à saúde dos jovens comparável ao tabagismo, alertam médicos britânicos, em uma consulta pública patrocinada pelo governo que termina nesta terça-feira (26).
Em seu relatório, a Academy of Medical Royal Colleges, organização que reúne as principais instituições médicas britânicas, considera o uso das redes sociais um problema de saúde pública "comparável ao tabagismo e ao uso do cinto de segurança no carro".
Entre os 454 médicos entrevistados, metade relatou tratar pelo menos uma criança por semana com angústia mental ou lesões físicas relacionadas a conteúdos na internet.
Os médicos também relatam observar uma "onda de crianças radicalizadas" devido à exposição a conteúdos "de ódio, viciantes e extremamente perturbadores".
O alerta dos médicos britânicos surge no último dia de uma consulta pública iniciada em janeiro pelo governo trabalhista sobre a possibilidade de proibir o uso de redes sociais para menores de 16 anos no Reino Unido, seguindo o modelo australiano.
O primeiro-ministro, Keir Starmer, deve se reunir nesta terça-feira com pais que acreditam que as redes sociais contribuíram para a morte de seus filhos.
Entre eles estão os defensores da proibição do uso de redes sociais por menores, como Esther Ghey, mãe de uma adolescente transgênero assassinada por dois adolescentes em 2023.
Mas também há opositores à proibição, como Ian Russell, cuja filha tirou a própria vida aos 14 anos após acessar conteúdos que promoviam o suicídio.
Wes Streeting, que deixou o cargo de secretário da Saúde neste mês e é um potencial rival de Keir Starmer pela liderança do Partido Trabalhista e pelo cargo de primeiro-ministro, expressou apoio à proibição do uso de redes sociais por menores.
"Acho que o que vimos das grandes empresas de tecnologia é semelhante ao comportamento da indústria do tabaco", disse ele à BBC.
Em meados de abril, Starmer insinuou que poderia restringir o acesso de menores às redes sociais devido a riscos à segurança, embora tenha insistido que esperaria até o final da consulta pública antes de tomar uma decisão final.
O primeiro-ministro britânico também não descartou a proibição do uso de redes sociais por menores. A ministra da Tecnologia, Liz Kendall, indicou que o governo agirá antes do final do ano para implementar os resultados da consulta.
A.Magalhes--PC