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França se despede de menina cujo suposto assassinato chocou o país
A pequena localidade de Fleurance, no sudoeste da França, despediu-se nesta sexta-feira (12) de Lyhanna, uma menina de 11 anos cujo suposto assassinato por um homem com denúncias de pedofilia desencadeou uma onda de indignação nacional.
Sob um sol radiante, o carro funerário branco entrou no cemitério deste povoado rural de 6.000 habitantes no início da tarde, seguido por centenas de pessoas, constataram jornalistas da AFP.
O caixão azul foi levado pelos funcionários de uma funerária até o local de seu sepultamento, onde estava apenas a família. O restante das pessoas se reuniu diante de um altar e de um retrato da menina.
"Não nos despedimos de um símbolo, de uma luta, mas de uma menina de onze anos e meio: Lyhanna", declarou o prefeito de Fleurance, Grégory Bobbato, que destacou a "lição de dignidade" de seus pais "no momento de enfrentar o pior".
O corpo de Lyhanna apareceu em 4 de junho em um silo agrícola abandonado perto de Fleurance, após ter permanecido desaparecida desde 29 de maio, e os investigadores apontam para a responsabilidade de Jérôme B., de 41 anos e pai de uma amiga dela.
A inquietação se transformou em indignação quando se soube que esse homem tinha denúncias anteriores por pedofilia, mas nenhuma condenação. Além disso, quando foi detido, o Ministério Público investigava uma denúncia apresentada em agosto de 2025, embora nunca o tivesse detido nem interrogado.
Milhares de pessoas protestaram na França contra as falhas no sistema judicial e o governo do presidente de centro-direita, Emmanuel Macron, está sob pressão, em meio a críticas à falta de recursos para a Justiça e a proteção da infância.
Em Fleurance, onde as bandeiras tremulavam a meio mastro, dezenas de buquês de flores, velas e bichos de pelúcia jaziam ao pé de um cedro em frente ao colégio Hubert-Reeves, onde a menina foi vista pela última vez entrando no carro do principal suspeito.
Sandy Lannes acende todas as noites essas "velas por Lyhanna". "É importante. Espero que ela não caia no esquecimento com a Copa do Mundo", acrescenta a mãe de dois filhos e avó de três netos, "quatro deles meninas".
As autoridades não informaram até agora as causas da morte da menina nem se ela foi agredida sexualmente. Jérôme B., em prisão preventiva, é acusado, por enquanto, de sequestro.
Quase 150 associações e sindicatos convocaram uma grande manifestação para o sábado 4 de julho para exigir uma "lei integral" contra a violência machista e contra menores, proposta por cerca de cem deputados no final de 2025 e nunca debatida.
bur-elr-dmc-zub/tjc/erl/jc/aa
H.Silva--PC