Milhares protestam na Espanha pelo direito à moradia
Milhares protestam na Espanha pelo direito à moradia / foto: JAVIER SORIANO - AFP

Milhares protestam na Espanha pelo direito à moradia

Dezenas de milhares de pessoas começaram a se manifestar, neste sábado (3), pelo direito à moradia em Madri e outras cidades espanholas, um dia depois de os deputados rejeitarem um pacote de medidas apresentado pelo governo, constataram jornalistas da AFP.

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As manifestações, previstas antes da votação do pacote, na sexta-feira, ocorrem no âmbito da crise aberta há cerca de dez dias pelo despejo de uma octogenária de sua casa em Madri, que se tornou símbolo da crise habitacional que afeta a Espanha há vários anos.

Em Madri, onde uma centena de ativistas mantém há uma semana um acampamento na central Praça do Sol, várias passeatas, atrás de uma grande faixa com o lema "Rumo à greve geral", devem confluir em outra grande praça do centro.

"O que se respira nas ruas é uma nova energia, uma energia que há muito tempo não víamos, uma energia que vem de demonstrar que oito dias de poder popular são capazes de fazer muito mais do que oito anos de governo progressista", disse, em nota, Valeria Racu, uma das porta-vozes do Sindicato de Inquilinas, impulsionador do movimento, em referência ao Executivo de Pedro Sánchez.

"Agora começa a política de verdade, a política que sempre pertenceu ao povo e que volta às ruas de uma vez por todas", acrescentou. Racu pediu para "resgatar essa ferramenta histórica (...) para transformar a realidade, que é a greve geral".

A rejeição dos textos apresentados pelo governo na sexta-feira voltou a colocar sobre a mesa a possibilidade de eleições antecipadas, inicialmente previstas para 2027.

Segundo a imprensa espanhola, o presidente do governo se deu alguns dias para avaliar a situação e decidir se vai convocá-las. No Parlamento, Sánchez tentou obter maioria na sexta-feira até o último momento, mas sem sucesso: o Partido Popular (direita), o Vox (extrema direita) e o Junts (separatistas catalães) votaram contra os dois textos da situação.

A crise atual foi desencadeada pelo despejo, na semana passada, de Maricarmen Abascal, uma madrilenha de 87 anos expulsa, do apartamento em que morava havia sete décadas, depois de a imobiliária que o havia comprado querer aumentar o aluguel que ela pagava em 275%.

C.Amaral--PC