Petrolíferas obtêm enormes lucros em um mercado impactado pela guerra
Petrolíferas obtêm enormes lucros em um mercado impactado pela guerra / foto: Henry NICHOLLS - AFP

Petrolíferas obtêm enormes lucros em um mercado impactado pela guerra

A alta dos hidrocarbonetos provocada pela guerra no Oriente Médio gerou bilhões em lucros para grandes petrolíferas como a francesa TotalEnergies, a britânica Shell e a espanhola Repsol.

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As grandes companhias de energia estão se beneficiando de forma extraordinária das interrupções no fornecimento de petróleo e gás no Oriente Médio, o que impulsiona as margens de refino e os preços. E tudo isso enquanto o aumento das contas de energia e os preços cada vez mais altos dos combustíveis alimentam a inflação, que aperta os orçamentos de famílias e empresas.

Na quarta-feira, o gás europeu ultrapassou 100 euros (594,98 reais) por megawatt-hora pela primeira vez em quatro anos, devido às dificuldades de trânsito dos carregamentos de gás natural liquefeito (GNL) vindos do Oriente Médio e à redução dos estoques europeus.

Essa inflação leva, em muitos países, a um crescente descontentamento com o aumento do custo de vida que, na França, explodiu em forma de fortes protestos em nível nacional.

O lucro líquido da francesa TotalEnergies bateu um recorde entre julho e setembro, quando atingiu 8,3 bilhões de dólares (44,33 bilhões de reais).

Já o da britânica Shell foi de 12,1 bilhões de dólares (64,63 bilhões de reais) nesse período, mais que o dobro em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.

No caso do grupo espanhol Repsol, o ganho líquido quadruplicou nos primeiros nove meses do ano, chegando a 5 bilhões de euros (29,74 bilhões de reais).

Tanto a Shell quanto a TotalEnergies, que já haviam registrado forte crescimento nos dois primeiros trimestres de 2026, indicaram que aumentarão as remunerações aos acionistas.

- Ser "exemplar" -

Os benefícios se explicam em parte porque a produção e exportação de produtos refinados no Oriente Médio continuam gravemente afetadas, e as refinarias não impactadas pela guerra aproveitam a menor oferta global.

Ao mesmo tempo, os bombardeios ucranianos contra infraestruturas energéticas russas levaram Moscou, um ator importante nesse mercado, a proibir a exportação de produtos como gasolina e diesel.

O governo francês instou a TotalEnergies a se comportar de forma "exemplar" e a fazer com que os consumidores se beneficiem das economias derivadas da liberação de reservas estratégicas de gasóleo.

"Pedimos à Total que repasse, mais uma vez, para baixo a vantagem da liberação dos barris e que mantenha o seu teto [sobre os preços] pelo tempo que for necessário, enquanto durar esta crise", declarou a porta-voz do governo, Maud Bregeon, ao canal BFMTV/RMC.

Os lucros da Repsol atingiram 2,8 bilhões de euros (16,65 bilhões de reais) apenas no terceiro trimestre, um valor muito superior aos 574 milhões (3,41 bilhões de reais) desses mesmos três meses de 2025.

Seu lucro líquido ajustado, indicador que mede de forma mais específica a rentabilidade da empresa, chegou a 5,42 bilhões de euros (32,24 bilhões de reais) nos primeiros nove meses do ano, frente a 1,9 bilhão (11,3 bilhões de reais) no mesmo período de 2025 (+184%).

A empresa, com sede em Madri e presente em mais de 20 países, concentrou-se nos últimos meses em seu posicionamento na Venezuela, onde afirmou que está disposta a aumentar sua produção de petróleo bruto em 50% em 12 meses.

- "Indecente" -

Diante desses resultados empresariais, algumas vozes criticam duramente o fato de esses grupos estarem tirando proveito de um conflito que sufoca as economias familiares em todo o mundo.

Em resposta aos lucros anunciados pela Shell, o especialista em campanhas do Greenpeace, Philip Evans, instou o governo britânico a "taxar essas empresas pelo dano incalculável que estão causando".

"Em um contexto de desastres climáticos quase constantes, tanto no Reino Unido como em todo o mundo, esses lucros vão além da mera ganância: são abertamente perversos", acrescentou.

Na França, várias ONGs, como 350.org, Action Justice Climat Paris e Attac France, classificaram como "indecentes" os lucros da TotalEnergies e reivindicaram que esses ganhos sejam tributados "para financiar os serviços públicos, a transição ecológica e o apoio às famílias".

L.Torres--PC