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Direção de universidade de elite francesa anuncia acordo com manifestantes pró-palestinos
A direção do prestigioso centro educacional francês Sciences Po Paris anunciou, nesta sexta-feira (26), um acordo com os estudantes mobilizados pela causa palestina, depois que estes ocuparam o prédio histórico da universidade na capital francesa.
A direção se comprometeu a organizar um debate interno e a suspender os processos disciplinares contra alguns estudantes.
"Em vista destas decisões, os estudantes se comprometeram a parar de perturbar as aulas, as provas e todas as outras atividades da instituição", escreveu Jean Bassères, administrador provisório do Sciences Po, em mensagem transmitida a estudantes e professores.
A mensagem foi recebida com satisfação pelas dezenas de manifestantes que ainda estavam reunidos em frente ao prédio às 21h30 locais. Pouco depois, começaram a se dispersar gradualmente.
Um pequeno grupo de estudantes e ativistas do comitê Palestina do Sciences Po ocupou o centro para pedir "uma condenação explícita das ações de Israel" em Gaza, no rastro dos protestos realizados nas universidades americanas.
O comitê também pedia o fim "da colaboração" com todas as "instituições" consideradas cúmplices "da opressão sistêmica do povo palestino".
A tensão aumentou quando cerca de 50 manifestantes pró-Israel, alguns encapuzados e usando capacetes de motociclista, participaram de uma contra-manifestação aos gritos de "Libertem Gaza do Hamas", forçando a polícia a intervir.
O ataque sangrento do movimento islamista Hamas em solo israelense, em 7 de outubro, e a resposta mortal de Israel na Faixa de Gaza fez pesar o clima na França, país que acolhe a maior comunidade judaica da Europa e milhões de muçulmanos.
O comitê Palestina da Sciences Po também pediu o fim "da repressão às vozes pró-palestinas no campus", depois que este centro de elite foi acusado de permitir o florescimento do antissemitismo.
A direção decidiu fechar vários locais de seu campus parisiense e "condenou com firmeza essas ações estudantis", que começaram na noite de quinta-feira. "Sim ao debate, não ao bloqueio", disse a ministra da Educação Superior, Sylvie Retailleau, à rede BFMTV.
A nova ação ocorre quando os protestos em defesa dos palestinos se multiplicam em universidades dos Estados Unidos, embora na França ainda não ocorram de forma ampla.
O presidente do Conselho Representativo de Instituições Judaicas da França (Crif), Yonathan Arfi, considerou "perigosa" a mobilização, embora não ocorra "em massa", afirmou ao canal LCI.
"Não temos nada contra os estudantes de confissão judia. Há estudantes judeus que militam conosco", assegurou Hubert Launois, de 19 anos e membro do comitê Palestina, para quem a ação busca denunciar "a política colonial e genocida" do governo israelense.
Os ativistas receberam o apoio do partido de oposição A França Insubmissa (LFI, extrema esquerda), cuja líder parlamentar, Mathilde Panot, foi convocada esta semana pela polícia por "apologia ao terrorismo" em virtude de um comunicado do seu grupo que qualificava o ataque do Hamas como "uma ofensiva armada das forças palestinas".
Ferreira--PC