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O mal-estar dos estudantes judeus com os protestos nas universidades americanas
A guerra de Israel contra o Hamas gerou críticas e divisão em todo o mundo, incluindo nas universidades americanas, onde estudantes judeus se sentem atacados, enquanto outros assumem papéis de liderança em manifestações pró-palestinos.
"Muita gente se sente realmente insegura", comentou o estudante judeu Eli Sánchez, 20, que estuda economia na Universidade da Califórnia (UCLA), em Los Angeles. "Vimos muita retórica de ódio e antissemita. Cruzam essa linha tênue com frequência. Não é liberdade de expressão, é liberdade de gritar sua opinião e depois não ouvir nem participar”, disse à AFP.
Sánchez ressaltou que deseja a paz no Oriente Médio, e disse que alguns estudantes judeus têm medo de usar o quipá. "Nos grupos de mensagens, tinha gente perguntando: 'Alguém pode me acompanhar até a sala? Não me sinto seguro.' Isso é realmente triste."
Embora os protestos na UCLA tenham sido pacíficos, a polícia efetuou prisões em algumas universidades, enquanto autoridades dessas instituições lutavam para transitar entre o direito à liberdade de expressão no campus e as queixas de que as manifestações representam uma ameaça para alguns estudantes.
Algumas aulas presenciais foram suspensas e cerimônias de formatura foram canceladas em várias universidades, conforme os protestos se espalhavam pelo país.
- Cuspe na bandeira -
“Apoio a libertação da Palestina”, disse o estudante judeu Etai, da Universidade do Texas, que preferiu não divulgar o sobrenome. "O que não apoio é cantar 'Do rio até o mar'. Querem que Israel seja eliminado do planeta", criticou, referindo-se à frase sobre os limites geográficos do rio Jordão e do Mediterrâneo.
Na Universidade George Washington, na capital americana, a estudante de filosofia Skyler Sieradzky, 21, disse que levou uma cusparada por portar uma bandeira de Israel. “Acho a liberdade de expressão importante, mas não quando chama violência. Há estudantes e professores que defendem mensagens de ódio e mensagens que apelam à violência, mas nunca me senti tão orgulhosa de ser judia."
Outros estudantes judeus adotaram uma postura diferente. Soph Askanase, uma manifestante judia pró-palestinos, foi suspensa de Columbia e presa por invasão de propriedade. "Sentir-se incomodada é diferente de se sentir insegura."
Os organizadores do protesto negam as acusações de antissemitismo e argumentam que seus lemas e críticas se dirigem apenas ao governo de Israel e à sua atuação no conflito na Faixa de Gaza. Também insistem em que pessoas que não são estudantes protagonizaram os incidentes mais ameaçadores.
- 'Não deveria ser assim' -
Longe do derramamento de sangue e do sofrimento no Oriente Médio, muitos estudantes sentem que a experiência dos ensinos médio e universitário nos Estados Unidos não foi a que esperavam, devido à covid-19 e, agora, aos protestos.
“Os estudantes do último ano começaram seu primeiro ano no Zoom e terão que terminar no Zoom", disse Noah Letterman, aluno de um programa conjunto do Seminário Teológico Judeu e da Universidade de Columbia. "Para mim, isso é realmente decepcionante, porque todo mundo diz que a universidade não deveria ser assim."
rfo-md-mav-vid/bgs/caw/db/nn/lb/ic
T.Vitorino--PC