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ONU faz proposta à Rússia para manter acordo de cereais ucranianos
O secretário-geral da ONU apresentou "um caminho a seguir" ao chanceler russo, Sergei Lavrov, para prorrogar o acordo sobre as exportações de cereais ucranianos, informaram seus serviços após um encontro entre ambos.
António Guterres entregou a Lavrov "uma carta ao presidente Vladimir Putin, que esboça uma proposta para melhorar, estender e ampliar" o acordo de exportação de grãos ucranianos através do Mar Negro apesar do conflito, segundo o comunicado. Uma carta semelhante foi enviada à Ucrânia e Turquia, "os outros dois signatários" do acordo.
O acordo, chamado "Iniciativa do Mar Negro para a Exportação de Cereais", foi renovado em 19 de março, mas a Rússia exigiu que ele fosse prorrogado por 60 dias, e não pelos 120 que haviam sido acordados em julho passado, por considerar que as sanções internacionais dificultam a exportação de seus produtos agrícolas, principalmente trigo e fertilizantes. Em meados de abril, Moscou ameaçou suspender a iniciativa em 18 de maio se os obstáculos às suas exportações não forem levantados e se o banco russo especializado em agricultura não for reconectado ao sistema bancário internacional Swift.
Guterres "tomou nota da preocupação da Federação Russa" envolvendo a aplicação do acordo sobre suas exportações de produtos alimentares e fertilizantes e "proporcionou um relatório detalhado dos avanços feitos neste sentido", destaca o comunicado, que assinala que a ONU irá prosseguir com seu trabalho "para resolver o restante dos problemas".
O chefe da ONU também transmitiu ao chanceler sua preocupação com "os obstáculos recentes" encontrados pelo Centro de Coordenação do Acordo, baseado em Istambul, "nas operações diárias".
Sergei Lavrov disse que a proposta do secretário-geral deve ser estudada. “Até agora, não vemos vontade dos países ocidentais de fazer o necessário para implementar com sucesso a iniciativa do secretário-geral do enfoque global para a exportação de produtos e uma abordagem abrangente para a exportação de produtos agrícolas da Ucrânia e da Federação Russa”, enfatizou.
As inspeções dos navios encarregados dos cereais ucranianos, segundo um protocolo do qual participam Ucrânia, Rússia, Turquia e ONU, sofreram interrupções momentâneas na semana passada.
P.Cavaco--PC