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Incursões de combatentes pró-ucranianos na Rússia deixam um morto
Um membro da defesa territorial russa morreu, nesta terça-feira (12), em incursões fronteiriças de combatentes russos pró-ucranianos, enquanto bombardeios da Rússia mataram ao menos três pessoas em uma cidade do centro da Ucrânia, segundo balanços dos dois lados.
O ataque russo atingiu um edifício residencial em Kryvyi Rih, cidade natal do presidente ucraniano Volodimir Zelensky.
"Três mortos e 38 feridos. Há crianças feridas", disse no Telegram o ministro do Interior da Ucrânia, Ihor Klymenko, alertando que o balanço pode aumentar.
Zelensky assegurou que suas forças vão infligir "perdas ao Estado russo, com todo o direito. O Kremlin deve aprender que o terror não ficará impune".
O Ministério da Defesa russo, por sua vez, informou que combatentes vindos da Ucrânia tentaram entrar nesta terça-feira nos oblasts (províncias) fronteiriços de Belgorod e Kursk com tanques e outros blindados.
Os ataques ocorrem a três dias do início das eleições presidenciais russas, nas quais, sem oposição, espera-se uma nova vitória de Vladimir Putin para um mandato de seis anos.
"Devido à abnegação dos militares russos, todos os ataques dos grupos terroristas ucranianos foram repelidos", informou o ministério, que afirma ter bombardeado o inimigo.
No entanto, o governador do oblast de Belgorod anunciou também pelo Telegram que "dez civis ficaram feridos e seis estão hospitalizados".
"Um membro da nossa defesa territorial morreu hoje", acrescentou Vyacheslav Gladkov.
Moscou, que diz ter infligido grandes perdas ao seu adversário, também relatou um ataque de grupos de sabotadores da Ucrânia contra a cidade fronteiriça de Tyotkino, no oblast de Kursk, que também foi "repelido".
Na frente diplomática, os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira uma nova ajuda militar de 300 milhões de dólares (cerca de R$ 1,5 bilhão) para atender às necessidades "urgentes" da Ucrânia.
"Devemos agir antes que seja literalmente tarde demais. Porque, como lembra a Polônia, a Rússia não vai parar na Ucrânia", alertou o presidente americano, Joe Biden, no início de uma reunião com seu par polonês, Andrzej Duda, e o premiê, Donald Tusk.
- Depósitos de combustíveis -
A ofensiva em Tyotkino foi reivindicada horas antes no Telegram por combatentes de uma unidade pró-ucraniana chamada Legião da Liberdade da Rússia.
Esta unidade de voluntários russos, que lutam por Kiev, já fez incursões armadas no passado e anunciou ter cruzado a fronteira russa a partir da Ucrânia. O grupo publicou um vídeo de visão noturna no qual aparecem três veículos blindados circulando.
A unidade assegurou ter "destruído" um blindado russo em Tyoktino e disse que as forças de Moscou saíram "rapidamente" do local.
As autoridades regionais ordenaram o fechamento de escolas da cidade de Kursk até a sexta-feira, anunciou o prefeito, Igor Kutsak.
A incursão ocorreu após um importante ataque com drones ucranianos na madrugada de terça-feira, que atingiu dois depósitos de combustíveis, um deles a centenas de quilômetros da linha de frente.
Um drone também atingiu a prefeitura de Belgorod, cidade próxima à Ucrânia que já foi alvo de ataques, e um centro comercial, sem deixar vítimas, informou o governador Gladkov.
Enfrentando bombardeios russos há mais de dois anos, Kiev costuma responder atacando regiões fronteiriças com artilharia ou drones. As incursões terrestres são pouco frequentes.
Segundo as autoridades russas, drones ucranianos atacaram Oriol - no oblast homônimo - e Kstovo - no oblast de Nizhni Novgorod - duas cidades a 160 km e 800 km, respectivamente, da fronteira ucraniana.
- Povoado tomado na Ucrânia -
Por outro lado, a Rússia disse que suas forças capturaram a cidade de Nevelske, na província oriental ucraniana de Donetsk, onde Moscou tem feito avanços significativos nas últimas semanas.
O presidente ucraniano, no entanto, garantiu na segunda que o avanço da Rússia havia sido contido e que a situação no front estava muito melhor do que há três meses.
As forças navais ucranianas reivindicaram nesta terça a destruição de um "posto de comando" russo instalado em um petroleiro encalhado no Mar Negro, perto do estuário do rio Dnieper.
Zelensky também afirmou na segunda-feira que a Ucrânia está construindo linhas de fortificação de mais de 1.000 quilômetros no front para deter o avanço russo.
Nas últimas semanas, o Exército russo conseguiu alguns avanços no leste da Ucrânia, como na cidade de Avdiivka, que está sob controle de Moscou desde meados de fevereiro.
O Exército ucraniano, porém, enfrenta a lentidão da ajuda ocidental, especialmente dos Estados Unidos, onde os republicanos estão bloqueando no Congresso uma ajuda de 60 bilhões de dólares (298 bilhões de reais) para a Ucrânia.
T.Resende--PC