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Israel defende ataque contra o Hamas no Catar apesar da crítica de Trump
O embaixador de Israel na ONU defendeu nesta quarta-feira (10) a ação militar de seu país contra os líderes do Hamas no Catar, que provocou uma rara crítica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao país.
O ataque mortal de terça-feira (9), que teve como alvo dirigentes do movimento islamista palestino, incomodou o principal aliado de Israel, que mantém relações estreitas com o Catar.
A Casa Branca expressou o descontentamento do presidente americano e o próprio Trump destacou em sua plataforma Truth Social que a decisão foi tomada pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e não por ele.
A Presidência dos Estados Unidos também afirmou que havia alertado o Catar sobre o ataque, mas as autoridades de Doha destacaram que a informação chegou depois da operação militar.
Em uma entrevista a uma emissora de rádio israelense, o embaixador do país na ONU, Danny Danon, justificou a ação militar no Catar: "Nem sempre agimos no interesse dos Estados Unidos".
"Nós estamos em coordenação, eles nos dão um apoio incrível, nós apreciamos isso, mas às vezes tomamos decisões e informamos aos Estados Unidos", declarou o diplomata.
Além de ser um aliado importante de Washington, ao abrigar a maior base militar americana no Oriente Médio, o Catar atua como mediador no conflito entre Israel e Hamas.
O país também abriga, desde 2012, a sede do gabinete político do movimento palestino que controla a Faixa de Gaza.
"Não foi um ataque ao Catar, foi um ataque ao Hamas. Não estamos contra o Catar, nem contra nenhum país árabe, atualmente enfrentamos uma organização terrorista", explicou Danon à emissora 103 FM.
O diplomata afirmou que "é muito cedo" para avaliar o resultado do ataque, mas insistiu que "a decisão foi a correta".
O Hamas afirmou que seis pessoas morreram no ataque, incluindo o filho de um de seus principais negociadores, Khalil al Hayya, mas destacou que os dirigentes de alto escalão sobreviveram.
O Catar relatou a morte de um de seus agentes de segurança.
O rico emirado do Golfo explicou que o ataque atingiu as casas de vários membros do gabinete político do Hamas.
O primeiro-ministro catari, xeque Mohamed bin Abdulrahman al Thani, afirmou que o país continuará atuando como mediador no conflito de Gaza ao lado do Egito e dos Estados Unidos.
Mas também alertou que se reserva "o direito de responder". "Acreditamos que hoje chegamos a um ponto de inflexão. Deve haver uma resposta de toda a região," destacou.
- "Não estou muito contente" -
Desde o início da guerra em Gaza, desencadeada pelos ataques do Hamas em outubro de 2023, Israel atacou Irã, Síria, Líbano e Iêmen. Mas, até agora, não havia atuado no Catar.
O primeiro-ministro Netanyahu explicou que ordenou os ataques após um atentado reivindicado pelo Hamas, na segunda-feira em Jerusalém Leste, que matou seis pessoas.
"Simplesmente, não estou muito contente com toda a situação", disse o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao ser questionado pelos jornalistas sobre os ataques.
Em sua rede Truth Social, o republicano elogiou posteriormente o Catar como "um forte aliado e amigo dos Estados Unidos". "Eu me sinto muito mal pela localização do ataque", acrescentou.
Diante das críticas de vários países da região, de potências europeias e da ONU, o gabinete de Netanyahu enfatizou que a operação foi "totalmente independente".
"Israel iniciou, Israel realizou e Israel assume toda a responsabilidade", indicou.
A ação coincide com uma ofensiva militar de Israel para tomar o controle da Cidade de Gaza, a cidade mais populosa do território palestino e em grande parte destruída pela guerra.
O conflito começou em 7 de outubro de 2023 com o ataque do Hamas contra o sul de Israel, que resultou na morte de 1.219 pessoas, a maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em dados israelenses.
A ofensiva de retaliação israelense matou mais de 64.600 palestinos, a maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do governo do Hamas que a ONU considera confiáveis.
P.Serra--PC