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Catar diz que Netanyahu 'deve ser julgado' após ataque contra Hamas em Doha
O primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdul Rahman Al Thani, afirmou nesta quarta-feira (10) que o seu par israelense, Benjamin Netanyahu, deveria ser levado à Justiça, e que o ataque israelense contra líderes do Hamas em Doha acabou com "toda esperança" de libertar os reféns em Gaza.
Al Thani criticou Netanyahu depois que o premiê advertiu "ao Catar e a todas as nações que abrigam terroristas: devem expulsá-los ou levá-los à Justiça. Porque, se não o fizerem, nós o faremos".
O ataque israelense sem precedentes contra líderes do movimento islamista palestino Hamas também provocou uma repreensão incomum do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, grande aliado de Israel. "Não estou muito contente", disse ele.
O Hamas, em guerra com Israel na Faixa de Gaza, indicou que seus altos dirigentes haviam sobrevivido, mas que os ataques israelenses causaram seis mortes.
"Deve ser julgado", afirmou o primeiro-ministro catari sobre Netanyahu, em declarações ao canal americano CNN.
"Acho que o que Netanyahu fez ontem foi matar toda esperança para os reféns", acrescentou Al Thani, cujo país é um mediador-chave nas negociações por uma trégua em Gaza e na libertação dos cativos no território palestino.
O Catar está "reavaliando tudo" em relação ao seu papel em futuras conversas sobre um cessar-fogo, ressaltou.
- 'Longo braço de Israel' -
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, prometeu nesta quarta que "o longo braço de Israel agirá contra seus inimigos em qualquer lugar".
"Todos que participaram no massacre de 7 de outubro serão considerados plenamente responsáveis", acrescentou, em referência ao ataque do Hamas contra Israel em outubro de 2023, que desencadeou a guerra de Gaza.
As declarações de Katz aconteceram depois que o embaixador de Israel na ONU defendeu o ataque de seu país contra os dirigentes do Hamas no Catar.
Segundo o movimento palestino, seis pessoas morreram, incluindo o filho de seu principal negociador, Khalil al Hayya, mas seus líderes sobreviveram.
O Catar, por sua vez, relatou a morte de um de seus agentes de segurança.
O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, apontou que "não foi um ataque ao Catar, foi um ataque ao Hamas".
"Não somos contra o Catar, nem contra nenhum país árabe, atualmente estamos enfrentando uma organização terrorista", disse Danon à emissora 103 FM.
Além de ser um aliado importante de Washington, com a maior base militar americana no Oriente Médio, o Catar atua como mediador no conflito entre Israel e Hamas.
Também abriga, desde 2012, a sede do escritório político do movimento palestino que controla a Faixa de Gaza.
Desde o início da guerra em Gaza, Israel atacou Irã, Síria, Líbano e Iêmen. Mas, até agora, nunca havia agido no Catar.
Este rico emirado do Golfo informou que o ataque atingiu as casas de vários membros do escritório político do Hamas.
Uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, solicitada pelo Catar, foi adiada para quinta-feira.
- 48 mortos -
Apesar da pressão internacional para acabar com a guerra em Gaza, o Exército israelense continua sua ofensiva. A Defesa Civil local afirmou que pelo menos 48 pessoas morreram nesta quarta-feira.
Israel conduz uma ofensiva militar para tomar o controle da Cidade de Gaza, a urbe mais populosa do território palestino e em grande parte destruída pela guerra.
O Exército israelense afirmou que intensificaria "nos próximos dias seus ataques na Cidade de Gaza", "com o objetivo de desmantelar a infraestrutura terrorista do Hamas, dificultar sua capacidade operacional e reduzir a ameaça que pesa sobre as tropas".
As forças israelenses destruíram nesta quarta-feira outro edifício que, segundo os militares, era "utilizado pela organização terrorista Hamas", após emitir uma ordem de evacuação.
Imagens registradas pela AFP mostram grandes colunas de fumaça subindo em direção ao céu enquanto uma torre desmorona.
Siham Abu al Ful declarou à AFP que deixou a torre assim que a ordem foi dada e que não conseguiu levar nada. "Destruíram a torre. Corremos de volta, mas já não restava nada. Tudo o que havíamos construído em dois anos desapareceu em um minuto!"
O conflito estourou em 7 de outubro de 2023 com o ataque do Hamas contra o sul de Israel, que resultou na morte de 1.219 pessoas, em sua maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em dados israelenses.
A ofensiva de retaliação israelense em Gaza matou ao menos 64.656 palestinos, majoritariamente civis, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, governada pelo Hamas, considerados confiáveis pela ONU.
H.Portela--PC