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Casa Branca ameaça demissões em massa em meio ao risco de paralisação
A Casa Branca ameaça realizar demissões em massa de funcionários públicos diante da recusa da oposição democrata de prorrogar o financiamento federal até o fim de novembro.
Caso o embate no Congresso continue, o governo federal ficará oficialmente sem dinheiro para pagar os salários de funcionários não essenciais ao final de setembro, uma conjuntura que se repete no cenário político dos Estados Unidos há anos.
O Escritório de Gestão e Orçamento (OMB, na sigla em inglês) da Casa Branca alertou nesta quinta-feira (25), em um memorando interno, que o governo republicano iria além da prática habitual de conceder licenças temporárias como nas paralisações anteriores (shutdown).
Os republicanos têm estreitas maiorias na Câmara dos Representantes e no Senado.
A prorrogação do financiamento federal já foi aprovada pela Câmara Baixa, mas no Senado, a maioria republicana (53-47) precisa de sete votos democratas para aprovar a lei.
O memorando da Casa Branca, obtido pela AFP, adverte que "as agências devem aproveitar esta oportunidade para considerar o envio de avisos de redução de pessoal a todos os funcionários".
O termo "redução de pessoal" (Reduction in Force, na sigla em inglês) é o mesmo que o governo Trump utilizou durante as demissões em grande escala realizadas pelo Departamento de Eficiência Governamental (Doge) do magnata Elon Musk no início deste ano.
A Casa Branca culpou uma "série de exigências insensatas" dos democratas. "Continuamos esperançosos de que os democratas no Congresso não provocarão uma paralisação e que os passos descritos acima não serão necessários", acrescentou o memorando.
- "Não seremos intimidados" -
O líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, respondeu à Casa Branca: "vá para o inferno".
"Não seremos intimidados pela sua ameaça de realizar demissões em massa", afirmou Jeffries no X, descrevendo o diretor do departamento orçamentário, Russ Vought, como um "operador político maligno".
As batalhas do governo em torno do 'shutdown' se tornaram frequentes na política americana sob administrações republicanas e democratas, já que Washington está cada polarizada.
Os democratas querem aproveitar este debate para recuperar bilhões de dólares em gastos com saúde pública e educação, algo que os republicanos consideram irrealista, após aprovaram neste ano, a "única e bonita lei" ("one big beautiful bill") que cortou 2 trilhões de dólares (R$ 10,6 trilhões, na cotação atual) em gastos públicos nos próximos dez anos.
Trump cancelou uma reunião na terça-feira com líderes democratas no Congresso, afirmando que não se encontraria com eles até que "se tornem realistas" com suas demandas.
Ambas as câmaras estão em recesso esta semana e os senadores retornarão na segunda-feira, enquanto corre o tempo para manter o financiamento federal após o fim do ano fiscal.
Os republicanos da Câmara dos Representantes advertiram na sexta-feira que seus membros não retornarão antes do prazo final de financiamento, obrigando o Senado a votar novamente e aceitar sua proposta ou enfrentar uma paralisação.
O projeto de lei, se aprovado, seria apenas uma solução temporária para financiar as agências federais até 21 de novembro.
O Congresso enfrentou um 'shutdown' pela última vez em março, mas os democratas no Senado, liderados pelo veterano Chuck Schumer, acabaram cedendo.
Nogueira--PC