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Trump anuncia possível visita ao Oriente Médio em meio a negociações sobre Gaza
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (8) que poderia ir ao Oriente Médio no fim de semana, em meio às negociações no Egito que buscam alcançar um acordo de cessar-fogo entre o Hamas e Israel na Faixa de Gaza.
O presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, informou haver sinais "muito encorajadores" nas negociações indiretas e afirmou que, em caso de acordo, havia convidado o presidente Trump a "assistir à assinatura".
Como mostra da forte pressão para chegar a um acordo, tanto os enviados de Trump quanto o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdelrahman Al Thani, e o chefe dos serviços de inteligência da Turquia, Ibrahim Kalin, deslocaram-se para a cidade costeira de Sharm el-Sheikh, onde as conversas foram retomadas à noite.
De Washington, Trump declarou que um acordo de cessar-fogo está "muito próximo" e disse que poderia viajar ao Oriente Médio "no final da semana, talvez no domingo, na verdade".
"Nossa negociação final, como vocês sabem, é com o Hamas, e parece estar indo bem. Então informaremos vocês; se for o caso, provavelmente partiremos no domingo, talvez no sábado", afirmou.
Os diálogos entre ambas as partes acontecem dois anos depois do início da guerra desencadeada pelo ataque sem precedentes do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.
Eles se baseiam em um plano de 20 pontos anunciado em setembro por Trump, que prevê, além de um cessar-fogo, a retirada gradual do exército israelense de Gaza e o desarmamento do Hamas.
— "Mandato claro" de Trump —
Taher al-Nunu, um dos dirigentes do movimento islamista palestino que participa das conversas, disse à AFP que o Hamas trocou com Israel "listas de prisioneiros a serem libertados", em referência à proposta de troca de reféns mantidos em Gaza por palestinos detidos pelas forças israelenses.
"Os mediadores estão fazendo grandes esforços para remover todos os obstáculos à aplicação das diferentes etapas do cessar-fogo, e o otimismo prevalece entre todos os participantes", afirmou Al-Nunu.
Delegações da Jihad Islâmica e da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) deveriam juntar-se na noite desta quarta-feira à delegação do Hamas no Egito, segundo um dirigente da Jihad Islâmica.
Altos funcionários dos Estados Unidos, do Catar e da Turquia uniram-se durante o dia às conversas, nas quais também participam o enviado de Trump, Steve Witkoff, e o genro do presidente, Jared Kushner.
O presidente egípcio Al-Sisi disse que os americanos chegaram à mesa de negociações com "um mandato claro do presidente Trump para pôr fim à guerra".
Catar, Egito e Estados Unidos atuam como mediadores, mas seus esforços até agora não conseguiram alcançar um cessar-fogo duradouro.
Duas tréguas anteriores — em novembro de 2023 e no início de 2025 — permitiram o retorno de reféns ou cadáveres de cativos em troca de prisioneiros palestinos.
O Hamas respondeu positivamente ao plano de Trump, mas vários pontos ainda permanecem pendentes.
Na terça-feira, data do segundo aniversário do ataque do movimento pró-iraniano contra Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prometeu alcançar todos os objetivos da guerra em Gaza, citando a libertação de "todos os reféns" e "a destruição do poder do Hamas".
— "Garantias" —
Presente no Egito, o principal negociador do Hamas, Khalil al-Hayya, declarou que o movimento quer "garantias" de Trump e dos mediadores de que a guerra em Gaza "terminará de uma vez por todas".
Em sua resposta ao plano de Trump, o Hamas aceitou libertar os cativos, mas exigiu o fim da ofensiva israelense e a retirada total de Israel de Gaza. O grupo não mencionou seu próprio desarmamento, ponto-chave da proposta.
Netanyahu disse apoiar o plano, mas sublinhou que seu exército permaneceria na maior parte de Gaza e repetiu que o Hamas deveria ser desarmado.
Nesse contexto de incerteza, o ministro israelense de Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, de extrema direita, visitou nesta quarta-feira a Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, provocando a ira do Hamas e de vários países árabes.
"Só rezo para que nosso primeiro-ministro permita uma vitória total em Gaza, a fim de destruir o Hamas, com a ajuda de Deus, e trazer de volta os reféns", declarou o político.
O ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023 resultou em 1.219 mortos, em sua maioria civis, segundo um balanço elaborado a partir de dados oficiais. Das 251 pessoas sequestradas naquele dia, 47 continuam em Gaza, 25 das quais já morreram, segundo o exército israelense.
Em resposta, Israel lançou uma campanha militar que devastou o território palestino, provocou uma catástrofe humanitária e deixou, de acordo com o Ministério da Saúde do governo do Hamas, mais de 67.100 mortos, também em sua maioria civis.
A ONU declarou estado de fome em parte de Gaza, e investigadores independentes do organismo afirmam que Israel está cometendo um "genocídio" — algo que as mais altas autoridades israelenses rejeitam.
M.Carneiro--PC