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Relógio do Juízo Final está mais perto do que nunca da catástrofe
O Relógio do Juízo Final, ou Relógio do Apocalipse, que mede simbolicamente a iminência do fim do mundo, aproximou-se da catástrofe como nunca antes nesta terça-feira (27), em meio a crescentes preocupações com armas nucleares, mudanças climáticas e desinformação.
O grupo Boletim dos Cientistas Atômicos adiantou os ponteiros para 85 segundos para a meia-noite, quatro segundos a menos do que há um ano.
Este anúncio ocorre um ano após o início do segundo mandato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que desestabilizou a ordem mundial, ordenou ataques unilaterais e retirou os Estados Unidos de várias organizações internacionais.
Rússia, China, Estados Unidos e outras grandes potências "tornaram-se cada vez mais agressivas, hostis e nacionalistas", afirmou o grupo de cientistas em um comunicado que anuncia o adiantamento do relógio, uma decisão tomada após consulta a um comitê que inclui oito vencedores do Prêmio Nobel.
"Acordos globais arduamente conquistados estão ruindo, acelerando uma disputa de poder em larga escala, onde o vencedor leva tudo, e minando a cooperação internacional, que é essencial para reduzir os riscos de guerra nuclear, mudanças climáticas, uso indevido de biotecnologias, ameaça potencial da inteligência artificial e outros perigos apocalípticos", afirmaram.
O comitê também alertou para os crescentes riscos de uma corrida armamentista nuclear, visto que o Tratado Novo START sobre a redução de armas nucleares entre os Estados Unidos e a Rússia expira na próxima semana e Trump pressiona para implementar um sistema de defesa antimíssil custoso, o "Domo Dourado", que colocaria armas em órbita.
O Boletim também destacou os níveis recordes de emissões de dióxido de carbono, o principal fator do aquecimento global. Ainda nessa área, Trump reverteu radicalmente a política dos EUA no combate às mudanças climáticas.
"Estamos vivendo um Armagedom da informação, a crise subjacente a todas as crises, alimentada por uma tecnologia predatória que espalha mentiras mais rápido do que fatos e se beneficia de nossas divisões", declarou Maria Ressa, jornalista investigativa filipina e ganhadora do Nobel da Paz de 2021.
O Boletim dos Cientistas Atômicos, fundado por Albert Einstein, Robert Oppenheimer e outros cientistas nucleares da Universidade de Chicago, inicialmente definiu o Relógio do Juízo Final para sete minutos para a meia-noite em 1947.
No ano passado, ele também se aproximou, mas apenas por um segundo, em meio a expectativas cautelosas após as promessas do recém-empossado presidente Trump de buscar a paz.
F.Santana--PC