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EUA afirma que ataques contra supostas 'narcolanchas' intimidaram traficantes
A campanha dos Estados Unidos para destruir supostas embarcações de traficantes de drogas tem sido tão bem-sucedida que os alvos começam a ficar escassos, afirmou nesta quinta-feira (5) o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, diante de líderes militares de 18 países das Américas reunidos em Doral (Flórida), a quem pediu que se juntem "à ofensiva contra os 'narcoterroristas'".
Os Estados Unidos começaram a atacar lanchas no Caribe e no Pacífico oriental no início de setembro e, desde então, já mataram 150 supostos traficantes de drogas.
"No mês passado, ficamos várias semanas sem atacar nenhuma embarcação. Por quê? Bem, porque não conseguimos encontrar barcos suficientes para afundar", disse Hegseth durante um encontro realizado com convidados de 18 países das Américas com o foco no combate ao narcotráfico.
"E este é o objetivo: estabelecer a dissuasão frente aos 'narcoterroristas' que conseguiam traficar quase sem obstáculos", acrescentou.
O secretário de Defesa aproveitou a conferência para incentivar as nações presentes a cooperar com os Estados Unidos na combate aos cartéis.
"Em seus países, muitos líderes aceitaram o status quo para coexistir com o 'narcoterrorismo', ou apostaram em uma abordagem exclusivamente policial que não conseguiu dissuadir nem desmantelar as ameaças", declarou na sede do Comando Sul dos EUA.
"O mesmo ocorreu em nosso país com a administração anterior (do democrata Joe Biden) e o resultado dessa negligência coletiva foi fatal. Mais de um milhão de americanos morreram por fentanil, cocaína e outras drogas", acrescentou.
Hegseth assegurou que o presidente Donald Trump havia conseguido "conter a invasão dos cartéis e de outros atores criminosos" em sua fronteira sul. "Vocês também podem e devem passar à ofensiva contra os 'narcoterroristas'", declarou.
Washington insiste que está em guerra contra supostos traficantes de drogas que operam na América Latina. Contudo, não apresentou provas de que as embarcações atacadas estejam envolvidas com o narcotráfico, o que gerou um acalorado debate sobre a legalidade das ofensivas.
Especialistas em Direito Internacional e grupos de direitos humanos afirmam que os ataques provavelmente equivalem a execuções extrajudiciais.
Washington destacou uma importante força naval no Caribe, onde atacou lanchas supostamente ligadas ao tráfico de drogas, confiscou petroleiros e capturou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, levado para Nova York para ser julgado por narcotráfico.
G.Teles--PC