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Israel mata outro alto dirigente iraniano e dá liberdade de ação ao seu Exército
Israel afirmou, nesta quarta-feira (18), que matou outro alto funcionário do poder iraniano, o ministro da Inteligência Esmail Khatib, e deu carta branca ao seu Exército para atingir qualquer dirigente da república islâmica que esteja na mira.
O poder iraniano advertiu, por sua vez, que ninguém escapará às consequências da guerra que trava contra Israel e os Estados Unidos, enquanto países do Golfo interceptaram novos foguetes e drones lançados contra alvos que incluem bases americanas.
"Na noite passada, o ministro da Inteligência do Irã, [Esmail] Khatib, foi eliminado", declarou o ministro da Defesa israelense, Israel Katz.
Katz também explicou que ele e o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, autorizaram o Exército a atacar "qualquer alto funcionário iraniano para o qual o cerco de inteligência e operacional tenha sido fechado, sem necessidade de aprovação adicional".
Segundo a mídia iraniana, entre os locais atingidos pelos bombardeios nesta quarta-feira estão Teerã, a província de Lorestan, a cidade de Hamedan, no oeste, e a região de Fars, no sul.
A agência Tasnim informou sete mortos e 56 feridos "em áreas residenciais" em Durud, em Lorestan. A AFP não pôde verificar de forma independente os balanços das autoridades.
A morte de Khatib sucede a de outro peso pesado da cúpula iraniana, o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, cuja morte em um bombardeio israelense foi confirmada na véspera.
Uma grande multidão se reuniu no centro de Teerã nesta quarta-feira para o funeral de Larijani e de Gholamerza Soleimani, líder da força paramilitar Basij, também morto por Israel, segundo imagens da televisão pública iraniana.
Seus funerais foram organizados junto com os de mais de 80 marinheiros da fragata afundada por um submarino dos Estados Unidos há duas semanas, na costa do Sri Lanka.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou no X que "a onda de repercussões globais está apenas começando e atingirá todos, sem distinção de riqueza, crenças ou raça".
Uma mensagem oposta às declarações do presidente americano, Donald Trump, que costuma falar de um conflito breve.
- Khamenei na mira -
Khatib, Larijani e Soleimani se somam à lista de líderes iranianos mortos pelos Estados Unidos e por Israel, entre eles o líder supremo Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro.
A Guarda Revolucionária, o Exército ideológico do Irã, reivindicou bombardeios que deixaram ao menos dois mortos na região de Tel Aviv nesta quarta-feira e prometeu "vingar o sangue" dos comandantes iranianos mortos.
Enquanto isso, o Exército israelense indicou que está decidido a "localizar, encontrar e neutralizar" o novo guia supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, que não apareceu em público desde sua designação há mais de uma semana.
Segundo autoridades americanas e israelenses, ele pode estar "desfigurado" ou ferido em uma perna após o ataque que matou seu pai.
- Petróleo sobe após ataque a imensa reserva de gás -
Mas o desafio econômico global da guerra se concentra no Golfo, onde instalações de petróleo e gás são alvo diário de bombardeios iranianos.
Nesta quarta-feira, um importante campo de gás do Irã no Golfo, o de South Pars-North Dome, foi bombardeado por forças dos Estados Unidos e de Israel, provocando um incêndio.
Após o ataque a esse campo, que é a maior reserva de gás conhecida do mundo e se estende até o Catar, o preço do petróleo subiu fortemente.
O barril de Brent do Mar do Norte avançou mais de 5%, para 108,60 dólares (R$ 560), e o West Texas Intermediate (WTI) subiu 1,9%, para 98,01 dólares (R$ 506).
Para reabrir a passagem pelo Estreito de Ormuz, os Estados Unidos atacaram instalações iranianas de mísseis próximas a essa via estratégica por onde, antes da guerra, transitava cerca de 20% dos hidrocarbonetos consumidos no mundo.
Na terça-feira, o presidente americano, Donald Trump, criticou seus aliados, que se distanciaram da guerra e descartam ajudar a escoltar navios petroleiros pelo estreito.
"NÃO PRECISAMOS DA AJUDA DE NINGUÉM", escreveu Trump em sua rede Truth Social.
- "Parte o coração" -
Beirute voltou a ser bombardeada por Israel nesta quarta-feira. Pelo menos 12 pessoas morreram, somando-se às 900 vítimas no Líbano desde o início da guerra.
O movimento pró-Irã Hezbollah abriu em 2 de março uma nova frente com Israel para vingar a morte de Ali Khamenei.
No centro de Beirute, o barulho dos bombardeios "foi aterrador", disse Saleh, uma mulher de 29 anos que foi deslocada da periferia sul para o centro da capital.
As crianças "começaram a chorar e a entrar em pânico, parte o coração [ver algo assim]", relatou.
O Exército israelense também afirmou ter bombardeado "alvos terroristas do Hezbollah" na região de Tiro, no sul.
"No sul, somos muito resilientes, estamos acostumados aos bombardeios", declarou à AFP Mustafá Jairalá, um refugiado de Sidon.
Mas "[os israelenses] atacam cada vez mais os civis, fui obrigado a sair", afirmou o idoso, apoiado em duas bengalas. Ao fundo, ecoou outra explosão.
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