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Irã ataca instalação nuclear em Israel
O Irã afirmou neste sábado (21) ter atacado a cidade israelense de Dimona, onde se encontra uma instalação nuclear, em "resposta" ao bombardeio do complexo subterrâneo de Natanz, equipado para enriquecer urânio.
Israel é considerado o único país dotado de armas nucleares no Oriente Médio, mas mantém uma política de "ambiguidade estratégica", pela qual não confirma nem desmente.
Oficialmente, a usina de Dimona, no deserto do Neguev, é um centro de pesquisa nuclear e de fornecimento de energia. Segundo a imprensa estrangeira, ela participou da fabricação de armas atômicas nas últimas décadas.
Dezenas de pessoas ficaram feridas, especialmente por estilhaços de projéteis em Dimona, onde um edifício sofreu um "impacto direto de um míssil" iraniano, segundo as autoridades locais.
As televisões israelenses exibiram imagens de um prédio com a fachada em grande parte destruída, perfurada e cheia de estilhaços.
O Irã reivindicou o lançamento dos mísseis. Disse que foi em "resposta" ao ataque "inimigo" contra o complexo de Natanz, no centro do país.
Segundo a organização iraniana de energia atômica, não há registro de "vazamento de materiais radioativos" nesse local.
O Exército israelense respondeu que "não tem conhecimento" do suposto ataque. A televisão pública Kan atribuiu sua autoria aos Estados Unidos.
- "Risco de acidente nuclear" -
Por sua vez, o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, pediu "moderação militar para evitar qualquer risco de acidente nuclear".
A Rússia, aliada do Irã, classificou o bombardeio de Natanz como ataques "irresponsáveis" que representam "riscos reais de catástrofe em toda a região do Oriente Médio".
As potências ocidentais suspeitam que o Irã tenta se dotar de uma bomba atômica, apesar de suas reiteradas negativas. Esse é um dos motivos alegados para os ataques lançados em 28 de fevereiro por Israel e Estados Unidos.
O Exército israelense afirmou à noite ter atacado em Teerã o centro universitário Malek-Ashtar, "utilizado pelo regime terrorista iraniano para desenvolver componentes de armas nucleares".
Quando a guerra entra em sua quarta semana, a intensidade não diminui.
O Exército americano declarou ter destruído um bunker iraniano equipado com armas que ameaçavam os envios de petróleo e gás através do Estreito de Ormuz.
O chefe do comando militar americano (Centcom), o almirante Brad Cooper, afirmou que aviões de guerra "destruíram" uma instalação subterrânea na costa do Irã que armazenava mísseis de cruzeiro antinavio, lançadores de mísseis móveis e outros equipamentos.
Segundo ele, isso reduziu a capacidade do Irã "de ameaçar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e seus arredores".
O Irã bloqueia o acesso a essa via por onde costumava passar cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos em todo o mundo, em resposta aos ataques de Israel e Estados Unidos.
Os confrontos fizeram disparar os preços do petróleo, a ponto de o barril de Brent do Mar do Norte subir mais de 50% no último mês e ser negociado em torno de 105 dólares.
Isso levou a Comissão Europeia a pedir aos países da UE que encham suas reservas de gás para o próximo inverno até 80% em vez de 90%, com o objetivo de aliviar a pressão sobre os preços.
Cerca de vinte países, incluindo Emirados Árabes Unidos, Reino Unido, França e Japão, declararam estar "dispostos a contribuir para os esforços" necessários para a reabertura do estreito.
- "Não vamos parar" -
Israel advertiu que a intensidade dos ataques "aumentará consideravelmente" nos próximos dias.
"Não vamos parar até que todos os objetivos da guerra tenham sido alcançados", disse Israel Katz, ministro de Defesa israelense.
Na sexta-feira, o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos estão "prestes a alcançar" seus objetivos e preveem "reduzir gradualmente" os "esforços militares" no país, mas descartou um cessar-fogo.
Mas, segundo alguns analistas, o Irã ainda tem capacidade de retaliar.
"Poderiam continuar por mais quatro a seis semanas", prevê Neil Quilliam, especialista em geopolítica do centro Chatham House.
Na sexta-feira, Teerã realizou um ataque "fracassado" contra a base britânico-americana Diego Garcia, situada a 4 mil quilômetros de seu território, segundo uma fonte oficial britânica.
- Fim do Ramadã sem Khamenei -
Desde o início da guerra, várias figuras do regime iraniano morreram, incluindo o líder supremo Ali Khamenei.
Seu filho, Mojtaba Khamenei, o substituiu, mas não foi visto em público desde sua nomeação.
Não esteve presente neste sábado na oração do Eid al-Fitr, a festa que marca o fim do Ramadã, em Teerã, tradicionalmente liderada pelo líder supremo da república islâmica.
A guerra se tornou um conflito regional ao se estender às monarquias vizinhas do Golfo.
Os Emirados Árabes Unidos afirmaram terem sido alvos de ataques aéreos do Irã.
Mais cedo, o Exército iraniano advertiu aos Emirados que responderá com "fortes ataques" a qualquer ofensiva contra as ilhas do Golfo de Abu Musa e Tumb Mayor, controladas por Teerã, mas cuja soberania é reivindicada por Abu Dhabi.
burs-dc/amj/al-erl/jvb/rm/ic/am
A.Aguiar--PC